FIRST LOVE 2 — FINAL

08:01

[I] [II] [III] [IV] [V] [VI + EPÍLOGO]

VI.


Dias tinham se passado e o nome de Liam Fletcher esquecido nas rodas de conversa, exceto para Henry, que pensava em diversas situações, das comuns até as mais absurdas, que envolvessem o nome do ex de sua esposa. Era incrível como tudo parecia cooperar para que ele explodisse e tratasse o assunto da pior forma possível. Mas tentava, de todo modo, superar tais pensamentos e tentar adiar a discussão.
Por sorte, tinha seus filhos que ocupavam boa parte de seu tempo quando em casa, evitando assim um conflito entre eles.
Naquele dia, porém, ao chegar em casa duas horas mais tarde que o habitual, notou já da entrada um completo silêncio no lar, o que indicava a ausência dos pequenos. Caminhou até o quarto que dividia com a esposa, encontrando-a sentada na cama com um caderno e caneta nas mãos, concentrada. Henry se recostou a porta, cruzando os braços e encarando a cena que, daquele ângulo, era a coisa mais linda que já havia visto. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios antes de descruzar os braços e bater na porta, sem força, informando sua presença. Hyerin tomou um leve susto, relaxando ao perceber de quem se tratava.
- Oi. – Disse baixo, pendendo a cabeça para o lado, um claro convite para que se juntasse à ela, o que foi exatamente o que ele fez.
- Olá! – Respondeu assim que sentou em frente a mulher, tocando seu rosto e beijando os lábios femininos de forma rápida. – Por que essa casa está em completo silêncio?
- PJ está com a mãe e os meninos foram dormir lá. – Hyerin aninhou o rosto na mão do marido. – Na verdade, só o Mike iria, mas Lizzy resolveu ir, mesmo o irmão dizendo que não poderia ir porque era menina. – Ambos riram.
- O que só aumentou a vontade dela de ir. – Recebeu um aceno em concordância. – Coitada da Julie.
- Coitada mesmo.

Após algumas risadas e trocas de carinho, o ambiente ficou em completo silêncio. Henry suspirou ao encostar a testa na da esposa, fechando os olhos e tentando conter os pensamentos que, ao descobrir que estavam sozinhos, voltaram com força.
O que ele não sabia é que sua esposa estava na mesma situação. Pensando em diversas formas de tratar o assunto sem que resultasse no que ela mais temia, uma briga. Após um suspiro seguido de um longo selinho, a mulher se afastou, retirando a mão dele de seu rosto e segurando-a com as suas.

- Olha, me desculpa. Eu deveria ter conversado com você sobre o Liam. – Ela baixou o olhar para, alguns segundos depois, erguer o rosto mais uma vez. Henry pensou em dizer algo, porém permaneceu calado. – É um assunto delicado pra mim. Namorar o Liam foi... difícil.
- Não precisa pedir desculpas. – Disse por fim. – Apesar de ter ficado paranoico com tudo isso, Peter me fez ver que não deveria força-la a me contar.
- Você seguiu um conselho do Peter? – Ela arregalou os olhos, fazendo-o rir.
- Pra você ver. – Deu de ombros.

Hyerin fechou o caderno com a caneta dentro, afastando-os deles para que assim pudesse se aninar nos braços do marido. Era sempre assim quando ela precisava contar alguma coisa a qual não conseguia olhar nos olhos dele, pois sabia que acabaria chorando. De início, Henry ficava incomodado, mas acabou se acostumando e, no fim, preferindo que fosse daquela maneira. Uma mão foi levada aos cabelos dela, acariciando-os.

- A gente se conheceu na calourada da turma dele, eu já trabalhava no NCI e fui fazer umas fotos. De início, ele foi muito educado, me tratava bem. Mas depois de alguns meses ele começou a ser... grosso. – Ela tinha os olhos fixos na parede a sua frente, sabendo que seu marido encarava o carinho que a fazia, atento a suas palavras. – Uma vez ele chegou a machucar o meu braço, tentando me impedir de ir embora depois de uma discussão.
Só de pensar naquilo, o estômago de Henry já se embrulhava.
- Foi então que surgiu o intercâmbio dele e eu decidi terminar. Ele ficou me perseguindo até o dia da viagem. – A voz começou a falhar, os primeiros indícios de que viria algum choro. – Era horrível, as vezes o Hyunsik se metia, mas eu tinha medo do Liam acabar batendo nele... – Hyerin fungou, tentando conter o choro antes mesmo que este viesse e então se sentou, virando-se na direção do marido, mas não o encarava. – Ele me tratava como propriedade dele, gritava comigo sem motivo, você ouviu, ele bateu no Peter que era amigo dele, por causa dessa obsessão... – Ela negou com a cabeça várias vezes. – Quando ele me procurou na biblioteca, eu fiquei com medo, não sabia que ele tinha voltado. Tentei ignorar, mas ele me segurou com força. Fiz menção de que iria gritar e aí ele me soltou. Liam começou a ir na minha casa com muita frequência, até que o meu irmão ameaçou chamar a polícia. – Ela respirou fundo. – Acho que no fim ele acabou encontrando alguém. É isso. Eu não te contei na faculdade, por medo de sobrar pra você. E depois, eu só quis apagar isso da minha vida.
- Desculpa. – Henry disse e ela demonstrou confusão. – Por te fazer ressuscitar essa história.
- Não tem problema, eu deveria ter contado antes. Seria mais fácil pra mim enterrar de vez, se você me ajudasse. – Ao fim da fala, ela sentiu os braços do marido a envolvendo e não se opôs, fazendo-se confortável ali.
O tempo passou e eles permaneceram daquela forma, em silêncio. Henry começava a se sentir estúpido por tê-la feito relembrar aquilo, mas também, aliviado por dar um fim na história. Mesmo com o relato de Peter sobre o assunto, era como se precisasse ouvir dela, afinal, era a vida dela, como o amigo tinha frisado. De início, sentira ciúmes de Liam, agora, era um misto de raiva e pena. Hyerin era uma mulher incrível que ele tivera a sorte de encontrar e, no fim, colocou tudo a perder. Ao menos, aquilo lhes dera a chance de reencontrá-la e nunca mais deixá-la ir. Pensar nisso o fez apertar os braços ao redor dela que suspirou ao senti-lo mais perto.
Perguntava-se como alguém poderia elevar a voz àquela mulher que, mesmo brava, exibia uma expressão linda, com os olhos semicerrados e os lábios finos em um pequeno bico, muito convidativo. Foi então que uma ocasião lhes viera a mente.
- Sabe do que eu acabei de lembrar? – O homem quebrou o silêncio, fazendo-a afrouxar o abraço para encará-lo, demonstrando curiosidade. – Da primeira vez que a gente brigou.
- A vez que você gritou comigo? Um marco nas nossas vidas, aliás. – Ela riu, apesar da frase dita.
- É impressão minha ou você ‘tá jogando na minha cara? – Os olhos finos do homem se estreitaram.
- Se a carapuça serviu...

Cerca de 11 anos atrás

            Henry se sentia incomodado. Há algumas semanas Hyerin parecia indiferente e alheia para o relacionamento dos dois. Estavam juntos há quase um ano e ela nunca havia agido assim. As mensagens no celular eram poucas, não fazia esforço nenhum para se encontrarem na faculdade e sempre que ele a convidava para fazer algo, ela tinha um “porém”. De início, achou ser apenas tpm, mas não. Estava durando tempo demais. No dia em questão – o qual era um sábado –, a garota não demonstrara nenhuma reação às mensagens enviadas por ele e sua irritação só aumentou, fazendo-o desistir de esperar. Saiu do quarto como estava, avisando a mãe que precisava “resolver umas coisas” e sumiu pela porta. Senhora Lau não teve nem tempo para avisá-lo de levar um guarda-chuva e quando percebeu, ele já não estava mais em casa.
            - Provavelmente, é a Hyerin. – Disse Withney, dando de ombros e voltando a ver TV, fazendo a mãe negar com a cabeça e voltar para cozinha preocupada.
            A estação de metrô foi o seu destino e ficou aliviado por ser um horário mais calmo e não precisar se apertar com inúmeras pessoas. Ainda teria uma séria conversa com o pai sobre algum meio de transporte, ele já tinha vinte e três anos, precisava de pelo menos uma moto na vida! Sentou-se com os braços cruzados e as pernas estiradas, apoiando a cabeça no vidro atrás de si e pensando no que teria feito, mas não encontrava nada em particular que deixasse a garota daquele jeito. Eles já tinham brigado outras vezes, é claro, é algo normal em relacionamentos. Mas ele sempre fazia de tudo para evitar discussões, já que a namorada era muito esquentada, apesar de ter sempre uma expressão fofa em seu rosto.
            Sua estação chegou e rumou a saída, se deparando com uma chuva fina que se iniciava. “Ótimo”, pensou enquanto apressava o passo em direção à casa dela. Não era muito longe dali, poderia chegar lá parcialmente molhado. Ele só não contava com a chuva ficando cada vez mais forte. Com as mãos nos bolsos, Henry suspirou e continuou até o seu destino, ponderando nas palavras que deveria dizer, nas possíveis respostas que receberia dela. Nenhuma fazia sentido, afinal, não havia nada para ela estar daquele jeito. Completamente encharcado foi o estado dele ao que finalmente chegou à casa da família Oh. A mão passou pelos cabelos a fim de retirar o excesso de água e os pés bateram no chão para limpá-los da lama. A campainha foi tocada. Senhora Oh estranhou o fato, já que a chuva estava forte demais, quem teria coragem de sair com o tempo daquele jeito? E a confusão só piorou ao ver o genro na porta de sua casa em um estado deplorável.
            - Henry, meu filho... o que houve? – Perguntou levando a mão livre até a boca. Hyunsik, que estava na sala vendo TV, desviou sua atenção para a porta e arqueou as sobrancelhas.
            - Só esqueci um guarda-chuva! – Ele riu sem ânimo. – A Hyerin está em casa?
            - Sim, ela está lá em cima, mas...
            - Obrigado. – Sequer esperou que a mulher terminasse a fala e adentrou, rumando as escadas. Em outras circunstâncias, se o rapaz estivesse tão animado como sempre era, a jovem senhora reclamaria da sujeira na sua sala, mas achou melhor ficar calada. Hyunsik acompanhou com os olhos o cunhado subir e voltou sua atenção à televisão. Senhora Oh olhou do filho para a escada e se apressou até a cozinha, para desligar o fogo que deixara ligado.
            Hyerin estava concentrada em alguns materiais da faculdade, atividades que havia deixado para depois e que deveriam ser entregues na segunda. “Maldita seja a minha preguiça” pensava ela enquanto organizava os papéis sobre a escrivaninha. Olhou pela janela e estranhou aquela chuva tão forte, mas lembrou que a mãe havia dito pela manhã que aquilo aconteceria. Mães nunca falham, afinal. Dois toques foram dados na porta e a garota imaginou ser a mulher que pensava poucos minutos antes. Levantou-se arrumando os cabelos em um rabo de cavalo e quando abriu a porta, os olhos se arregalaram e a mão que ainda segurava as madeixas soltou-as. Henry estava molhado da cabeça aos pés, com uma expressão séria no rosto, parado na porta do seu quarto. Ela engoliu em seco.
            - Será que eu posso entrar? – O tom era frio, Hyerin se preocupou ainda mais.
            - Claro. – Deu espaço, deixando-o passar e logo depois fechou a porta.
            - Já deu pra entender porque eu estou aqui ou preciso me explicar? – As mãos do rapaz estavam em seus bolsos e ele tinha o olhar fixo nela, Hyerin nunca o vira daquele jeito.
            - Do que você está falando? – Fingiu-se de desentendida. Sabia do que ele estava falando, só não queria admitir.
            - “Do que eu estou falando”, Hyerin? – Uma risada irônica saiu de seus lábios e ele deu dois passos, ela recuou outros dois. – Estou falando de você me ignorando, não querendo sair comigo, fingindo que está ocupada demais pra me dar atenção. – Mesmo com as mãos nos bolsos, o rapaz deu de ombros, fazendo alguns pingos de água caírem. – Eu sei que você não me deve satisfações, mas, se algo aconteceu e resultou nisso tudo, eu gostaria de ser informado.  
            Ela respirou fundo, era hora de desabafar. Não poderia mais fingir ou dizer que não era nada. Sabia que aquilo o incomodava, mas não imaginou que seria ao ponto de fazê-lo ir até lá em meio a uma chuva daquelas. Ela só estava preocupada com os dois, afinal.
            - Henry, você conseguiu um estágio. Você estuda pela manhã e eu trabalho nesse horário. Eu estudo pela tarde e você vai trabalhar durante a tarde e início da noite. Nosso tempo está ficando escasso e eu tenho medo que isso afete nossa relação. – As mãos passaram pelos cabelos e ela encarou o chão. – Nós já nos vemos pouco, agora vai ser ainda mais difícil. Eu tenho medo que a partir de agora as coisas passem a esfriar.
            Um silêncio tomou conta do quarto. Henry levou as mãos à cabeça e bagunçou os cabelos, fazendo com que pingos de água saíssem dali. A garota ergueu o rosto, procurando por alguma resposta dele, mas só o viu de costas, encarando alguma coisa.
            - Caralho, Hyerin! – Ele gritou ao se virar, ela se assustou. – Eu sou apaixonado por você desde quando, mesmo? Desde a porra do jardim de infância! Você sabe disso. Certo que nós nos separamos e crescemos longe um do outro, mas você tem ideia do porquê de nenhum dos meus relacionamentos anteriores a você deu certo? – Ele parou, cruzou os braços e a encarou. – Porque a minha mãe estava certa o tempo todo. Eu nunca deixei de amar você, mesmo que nem lembrasse quem era você.
             Hyerin parou. A reação dele era exatamente a que ela esperava que seria e engoliu seco. Recuou mais alguns passos até estar contra a parede e seus olhos se arregalaram ainda mais ao ouvi-lo dizer a última frase. “Amor” não era bem a palavra que eles usavam para expressar seus sentimentos de um para com o outro. Apesar de quase um ano juntos, ainda não se achavam preparados e ambos entendiam isso. Ouvir aquelas palavras a fizeram perceber que havia feito uma coisa estúpida. Foi como um balde de água fria caindo sobre si. Henry deu alguns passos em direção à ela.
            - As vezes eu achava que havia algo errado comigo. Porque sempre sentia falta de alguém que eu não fazia a mínima ideia de quem era, mesmo quando eu tinha uma namorada. Mas agora eu sei exatamente do que se tratava. Eu sentia sua falta, Hyerin. – Mais passos foram dados e tudo que ela poderia fazer era encará-lo enquanto ele falava. – E agora você vem me dizer que está preocupada que a porra do tempo esfrie o nosso namoro? – Ele riu sem ânimo de novo e finalmente estava frente a frente com ela. Os braços foram apoiados na parede, encurralando-a. Apesar de assustada e envergonhada das próprias atitudes, Hyerin não desfez o contato visual. – Eu tive dezesseis anos pra esquecer você e não consegui, acha mesmo que algumas responsabilidades a mais vão fazer isso?
            Com a pergunta, Hyerin baixou os olhos. Ainda não sabia o que dizer. Não havia pensado melhor e analisado a situação, olhando daquele ângulo, ela tinha sim sido estúpida ao agir de maneira indiferente com ele. Henry se sentia orgulhoso. Era a primeira vez que a deixava sem saber o que dizer. Aquele silêncio era a resposta que ele precisava, ela sabia que estava errada daquela vez.  A garota se mexeu com cuidado e voltou a erguer o rosto, o rapaz encarou seus lábios que se moveram devagar.
            - Não sei o que dizer. – Deu de ombros, envergonhada.
            - Então não diga. – Os lábios gelados de Henry estavam, agora, sobre os seus.
            O choque térmico a fez arrepiar por inteiro. As mãos foram automaticamente aos ombros dele, puxando-o para mais perto de si e sentindo o frio do corpo de Henry passar para o seu. As mãos dele deixaram a parede para segurarem a garota pela cintura, sentindo a temperatura do corpo dela em contraste com o gélido que o seu se encontrava. Os lábios expressavam a saudade que ambos estavam um do outro. Há semanas que não sabiam o que era um beijo de verdade. Talvez fosse essa a razão para ele sequer esperar que ela falasse, era saudade demais. Mas já havia dito o que queria e recebido o silêncio que almejava, não precisava mais de nenhuma palavra dela. Só dela.
            O beijo chegou ao fim, mas não se afastaram. Henry tocou a testa da garota com a dele, aproveitando daquela proximidade ao máximo que podia. Hyerin subiu ambas as mãos para a nuca dele, brincando com algumas gotas de água que desciam de seus cabelos. O silêncio tomou conta dos dois novamente, mas não era algo constrangedor.
            - Me desculpe. – Foi tudo que ela disse. Seu tom era baixo e rouco, Henry sorriu pequeno.
            - Só me prometa que quando algo entre nós te incomodar, você vai me dizer. – Moveu as feições com cuidado, fazendo com que o nariz acariciasse o dela, Hyerin meneou a cabeça e sorriu. – Independente do que seja. Do mais bobo ao mais sério, se te incomodar, por favor, me fale.
            - Tá bem. – Sussurrou enquanto ainda meneava a cabeça em positivo. –  Eu não sei se eu já te disse isso antes, mas... eu te amo. – O sorriso presente nos lábios de Henry era tão largo que Hyerin precisou rir, nunca tinha visto um sorriso tão lindo quanto aquele. Os braços em volta dela se firmaram e a puxaram com delicadeza, fazendo com que as roupas dela ficassem ainda mais molhadas por conta das dele. E os lábios femininos foram novamente capturados pelos dele, dessa vez sem tanta pressa.

- Ok, olhando agora você até que teve um pouco de razão. – O casal estava deitado na cama, encarando o teto enquanto conversavam. Henry a fitou, incrédulo.
- Como assim “um pouco” de razão, Hyerin?! Você sabe que exagerou. – Ela o olhou com deboche e estreitou os olhos. – Você começou a agir estranho porque eu arrumei um estágio!
- Eu fiquei com medo, ‘tá. – Os lábios formaram um pequeno bico, Henry foi rápido para captura-los em um curto beijo, fazendo-a rir.
- Medo do que, pelo amor de Deus? – Virou o corpo na direção dela, apoiando o braço no colchão e a cabeça na mão. Hyerin baixou os olhos.
- Da gente se afastar e acabar te perdendo... – Ao voltar a encará-lo, o rosto do marido estava mais próximo do que antes. Ela sorriu. – Eu não tenho culpa de ser paranoica.
- Sua desculpinha é essa, dona Lau... – A voz saiu baixa, dando ênfase no sobrenome. – Como eu já te disse certa vez, eu tive dezesseis anos pra te esquecer e não consegui. – A mão livre foi ao rosto da esposa, acariciando a farta bochecha, fazendo-a fechar os olhos.
Henry parou e a observou. Deus, como amava aquela mulher. Era impossível imaginar sua vida sem que ela estivesse presente. Fosse feliz, emburrada, sonolenta, cansada, organizando sua semana metodicamente, fosse cuidando dos filhos lindos que ela lhes dera. Sim, Elizabeth não viera pela gravidez, mas viera pelo coração grande de sua esposa, que não mediu esforços para fazer daquele um novo lar para a loirinha.
Com a demora, Hyerin abriu os olhos, confusa, tendo os brilhantes olhos do esposo em sua direção. Um sorriso largo preencheu seu rosto e, em seguida, ela mesma cessou a distância, capturando os lábios dele, num beijo que demonstrava toda a felicidade que transbordava seu coração. As mãos femininas seguraram a gola da camisa social usada por ele, mantendo-o próximo à ela, como se temesse a sua saída. Já Henry, segurava a cintura alheia com firmeza, tocando sua pele macia e se deliciando com tal toque.
Não demorou para que o beijo se intensificasse e se tornasse rápido, urgente. As mãos da mulher soltaram a gola da camisa trajada, para deslizarem devagar pelo tecido, desabotoando a fila de pequenos botões de tons escuros. Ao finalizar a ação, os finos dedos tocaram a pele clara, fazendo Henry arfar em meio ao beijo, e apertar as mãos em torno de sua cintura, Hyerin sorriu e mordeu o lábio inferior do marido. Para ele, era como se sentisse aquelas carícias pela primeira vez. O corpo arrepiava, o coração acelerava, e todo o seu ser gritava por mais toques, mais toques dela.
Percebendo as sensações que causava, Hyerin deslizou as mãos até os largos ombros do marido, fazendo-as retroceder o caminho, agora usando das unhas para marcar temporariamente o peitoral, parando apenas quando chegou a barra da calça que ele usava, refazendo o caminho mais uma vez. Os músculos de Henry se retraíram com o toque e, numa tentativa de vingança, as mãos na cintura feminina subiram levando o tecido da blusa consigo, o que resultou em um arfar vindo dela. O homem se afastou para apreciar as reações de sua esposa, pressionando todo pedaço de pele que suas mãos tocavam, deixando os seios à mostra, ainda cobertos pelo sutiã de cor clara que Hyerin usava. Sem hesitar, a mulher deixou o abdômen alheio por alguns instantes, levantando os braços e facilitando a retira da blusa que foi colocada de qualquer jeito sobre a cama.
Henry se apoiou nos joelhos, um de cada lado do corpo da mulher, e se colocou a observá-la, entregue à ele, plena e linda. Seu corpo era perfeito a sua maneira e ele nunca cansava de observá-la, independente do modo como estivessem. Afoito, as mãos foram de encontro aos seios, apertando-os e os aproximando, fazendo Hyerin fechar os olhos e projetar o corpo para cima, dando-o total liberdade para continuar o que fazia. Com um sorriso no canto dos lábios, ele aproximou o rosto e a beijou entre os seios, fazendo-a gemer baixo, o que resultou em um arfar saindo da própria boca.
Foi então que, em súbito, Henry se ergueu, encarando-a com um olhar assustado, o que gerou confusão em Hyerin, claramente expressa em seu rosto.
- O que foi? – Perguntou ela.
- A porta ‘tá aberta, as crianças... – Então lembrou-se da falta dos filhos, o que o fez rir aliviado, sendo seguido por ela. – A porta aberta está me deixando paranoico, acho que a qualquer hora Lizzy e Mike vão aparecer... – Ele deu sinal de que sairia dali, mas foi impedido por ela que aproveitou do desleixo do outro para se virar, fazendo-o deitar-se e ela, agora, ficar por cima de seu corpo.
Os cabelos foram colocados de lado de propósito, ressaltando a curva do pescoço, ponto fraco de Henry, que não deixou a ação passar despercebida. Céus, como aquela mulher era incrível. O sorriso que adornou seus lábios, recheado de malícia com pequenas doses de inocência, deixava-o louco.
- Você não vai a lugar nenhum. – Disse baixo, aproximando o rosto do peito masculino, primeiro roçando a ponta do nariz diversas vezes, depois distribuindo beijos por toda a extensão. As mãos dele foram quase em automático até as coxas dela, pressionando os dedos com força, colando ainda mais o corpo ao dele. Em resposta à isso, um mordida foi deixada na barriga de Henry, que se contorceu, fazendo-a rir baixo.  
Não demorou muito que o restante das roupas estivessem fora de seus corpos e pudessem demonstrar todo o amor que sentiam um pelo outro. Independente do que estivesse acontecendo ao redor deles, o mundo poderia acabar logo ao lado, e não notariam – nem mesmo dariam importância. Estavam onde deveriam estar. Nos braços daquele que escolheram para amar e cuidar.
- Dez anos de casados e eu ainda me sinto exatamente como da primeira vez que te vi. – Disse Henry encarando o rosto de sua mulher que sorria. Estavam deitados, ainda sem o uso de roupas, cobertos pelos lençóis. 
- Lá no prédio da NCI, quando apareci atrás de você? – Hyerin perguntou.
- Não. – Ele riu com a dedução. – No jardim de infância.
- Que absurdo, você não lembra disso! – Apesar da dúvida, os olhos brilharam com a descoberta.
- Claro que eu lembro, Hyerin. Aquele desenhou foi como uma luz no meu cérebro...

28 anos atrás

Era recreio e uma menina brincava sozinha com sua boneca princesa super-heroína. As demais crianças corriam e pulavam em conjunto, mas Hyerin se sentia confortável brincando sozinha, já que todas as meninas queriam brincar de princesas em perigo e ela só gostava de ser super-espiã ou super-heroína que era mais divertido. No canto, ela fazia sua boneca dar golpes e socos em um vilão imaginário, quando um menino loiro, aparentemente mais velho, chegou perto dela e a encarou confuso.
- Por que você ‘tá brincando sozinha? – Perguntou ele, fazendo-a parar o que fazia e encará-lo.
- Porque eu gosto, ué. – Deu de ombros e o ignorou.
- Você ‘tá brincando sozinha porque ninguém gosta de você, sua bobona. – Ele deu língua puxou seu cabelo com força. Hyerin levantou para batê-lo igual sua boneca fazia antes da chegada dele, mas o menino riu e saiu correndo. Com a mãozinha na cabeça, ela começou a chorar – de dor e de raiva. Estava sozinha e quieta, não tinha feito nada. Caminhando com lágrimas nos olhos e gritando em alto e bom som, a menina se dirigiu de volta sala, procurando pela professora.
- Tia Annie! Tia Annie! – Ela gritava, chamando a atenção de um menino que também brincava sozinho, pintando seus desenhos.
- A Tia Annie foi ver a diretora. – Disse ele, que tinha parado de desenhar seu dragão vermelho e verde cuspidor de fogo quando ouviu o choro dela. – O que foi?
- Eu ‘tava brincando sozinha aí o Peter veio, disse que ninguém gosta de mim, deu língua e puxou meu cabelo. – Após o relato, que saiu rápido e sem pausas, a menina começou a chorar ainda mais, Henry se viu desesperado.

Deixou o giz de cera sobre a mesa, sentindo seu coraçãozinho acelerar como sempre acontecia quando ele corria ou pulava. Achou estranho, nem tinha corrido pra sentir aquele calorzinho no coração. Ela era Hyerin, a menina que tinha emprestado seus lápis de cor para ele na aula de desenho no dia anterior. Ouviu o que a menina disse e ficou irritado, as mãos se fecharam em pequenos punhos. Como o Peter podia fazer aquilo com uma menina bonita? Henry não iria deixar! Ele já tinha seis anos, era quase um adulto, podia resolver aquilo por ela.
- A Tia Annie num ‘tá aqui, Hyerin, mas eu vou ajudar você.
Determinado, o pequeno saiu com as mãos fechadas, sendo seguido por Hyerin que, tentando conter o choro, parou na frente da sala e o assistiu andar pelo pátio e encontrar o loiro correndo e imitando o flash, já que brincavam de super-heróis.
- Ei, Peter! – O chamou, fazendo-o parar de correr.
- Que é? – O loiro colocou as mãos na cintura.

Henry respirou fundo e, com toda a sua força, chutou a perna do garoto que gritou de dor e caiu, sendo alvo de risadas dos outros coleguinhas.
- Isso é porque você puxou o cabelo da Hyerin, seu feio! – E, após dar língua, virou-se, caminhando vitorioso.
- EU VOU CONTAR PRA TIA ANNIE QUE VOCÊ ME CHUTOU, SEU BOCHECHUDO BOBÃO. – Peter gritou, fazendo Henry parar de andar e olhar para trás.
- Se você contar eu conto que você puxou o cabelo da Hyerin e disse que ninguém gosta dela! – E, dando língua mais uma vez, ele correu até a menina, que exibia um pequeno sorriso em meio as lágrimas.
- Pronto, ó. Agora ele num vai mais puxar seu cabelo. – Ele meneou a cabeça.
- Obrigada, Henry. – A menina, envergonhada, beijou a bochecha dele, fazendo-o corar e rir.
- Você é bonita. – Um risinho envergonhado saiu da boca do pequeno, a garotinha juntou as próprias mãos, tímida.
- Você quer brincar comigo? – Perguntou ela.
- Quero sim.

E, juntos, eles rumaram o lugar em que Hyerin estava antes, mas agora ela tinha uma companhia. Mesmo sempre gostando de brincar sozinha, agora ela tinha alguém que se importava com ela e que estaria ao seu lado para sempre. Ele até a defendeu e chutou o joelho de Peter, isso queria dizer que ele gostava mesmo dela.
Enquanto organizava suas bonecas princesas espiãs e explicava ao novo amiguinho como iriam brincar, a pequena Hyerin não notou o olhar bobo de Henry direcionado à ela. Com um sorriso largo, cheio de dentes de leite, o menino voltou a sua atenção aos brinquedos. Afinal, ela o tinha chamado para brincar!

- Viu? Pode ter demorado, a gente perdeu o contato, mas no fim das contas, eu cumpri a minha promessa. – Disse Henry, ao fazê-la se virar e abraçá-la.
- Mas você não me prometeu nada... – Ela riu, acariciando seus braços.
- Não, eu prometi a mim mesmo que me casaria com você. – A mão esquerda procurou pela dela, entrelaçando os dedos, deixando as alianças em evidência e ambos as encaravam com largos sorrisos nos lábios. – E, por isso, eu sou o cara mais feliz do mundo. 


Epílogo.

Era natal e a ceia estava sendo realizada na casa dos pais de Hyerin. A tradição dizia que, naquele ano, deveriam participar da ceia na casa dos pais de Henry, mas os líderes da família Lau estavam passando o natal com a família de Clinton, o filho mais velho, que vivia em Vancouver. Assim, a família Oh recebia tios, primos e diversos parentes, lotando a grande casa em que Hyerin crescera.
Como toda ceia de natal, a mulher já tinha perdido a conta de quantas pessoas teve que cumprimentar. Falou sobre o trabalho, as crianças, o emprego do marido, além de ter respondido perguntas inconvenientes. Por sorte, diante do horário, alguns já começavam a ir embora, o que dava certa privacidade e alívio para ela.
- Finalmente eu te achei! – Disse Henry ao encontrá-la, entregando-lhes uma taça de champanhe e beijando seus lábios de forma rápida. – As crianças estão dormindo, Julie me ajudou a colocá-las para dormir.
-  Ótimo! – Respondeu após um longo gole na taça. – PJ também dormiu?
- Ele tem onze anos e já passou da meia-noite. Sua pergunta me espanta. – Ele riu ao vê-la rolar os olhos. Peter e Julie, mãe de Peter Júnior, mantinham uma relação agradável, o que significava a tranquilidade de estarem na mesma festa, sem atritos. – Aliás, você viu a minha irmã?
Hyerin pareceu pensar.
- Não. Na verdade, não a vejo desde a ceia.
- E aí, bochechas! – Peter chegou, levemente alterado, abraçando os dois e recebendo suspiros como resposta. – Doze anos e vocês ainda me tratam assim, eu vou arrumar um casal de amigos novos.
- Você não conseguiria nem se quisesse. – Henry o empurrou, ouvindo-o rir.
Enquanto os homens conversavam, Hyerin observava o local com atenção, percebendo que a figura do irmão mais novo não estava em nenhum lugar do seu campo de visão. Sabia que ele não estava nem do lado de fora da casa e nem na cozinha, já que ela mesma estivera nos dois cômodos nos últimos quinze minutos.
- Algum de vocês viu o Hyunsik?
- Acho que a última vez que o vi foi na hora da ceia. – Respondeu Henry, bebendo o restante de seu champanhe.
- Que estranho! Tanto o Hyunsik, como a Whitney estão sumidos desde a ceia... – Hyerin proferiu a frase sem raciocinar que não havia nada de estranho nisso.
- Qual a probabilidade de eles estarem juntos? – Henry riu debochado, como se aquilo fosse realmente absurdo.
Mas, não era.
 Os três se entreolharam e, após colocarem as taças vazias sobre qualquer superfície que encontraram, eles rumaram as escadas da casa, correndo degraus a cima. Tendo um modelo tradicional, a casa possuía quatro quartos no primeiro andar. O dos pais Oh, onde as três crianças dormiam no momento, o quarto de hóspedes, o quarto de Hyunsik e o antigo quarto de Hyerin, agora usado como biblioteca e depósito de algumas velharias. Eles se dividiram e cada um conferiu um cômodo, deduzindo que não estariam no quarto dos pais, afinal, as crianças estavam dormindo ali – e, ao menos Hyerin e Henry, imaginavam que eles teriam um pouco de juízo.
Foi a mulher que os encontrou, em seu antigo quarto, chamando os outros dois da forma mais cautelosa possível. Henry empurrou a porta sem fazer barulho, e assim os três se posicionaram na entrada do cômodo: Peter com as mãos nos bolsos e uma expressão maliciosa e o casal Lau de braços cruzados, ela com uma sobrancelha arqueada, ele com os olhos semicerrados.
Os mais novos estavam em um canto do recinto, entre os antigos móveis de adolescente que pertenceram a Hyerin. Whitney estava encostada contra uma escrivaninha branca, com gavetas de cor lilás, tendo o corpo de Hyunsik colado ao seu. O beijo que trocavam era urgente, as mãos dele segurando a cintura feminina com firmeza.
- Ae, Hyunsik, deu bem um perdido, hein?! – Peter quebrou o silêncio, dando um susto no casal, fazendo-os se afastar. Hyunsik limpou a boca, enquanto Whitney ajeitava o vestido e logo depois, os cabelos.
- Ora, ora, ora... – Henry tinha o tom sério. – Acho que os pombinhos nos devem uma explicação. – Whitney rolou os olhos.
- Na verdade, levando em consideração a idade, a gente não deve nada. – Ela deu de ombros e Hyunsik concordou com a cabeça, ajeitando os óculos. Peter cruzou os braços e riu abertamente.
- Pena que eu não trouxe uma bebida. – Disse o loiro, sendo ignorado.
- Anda! – Disse Hyerin, semicerrando os olhos e encarando o irmão que bufou. – E eu nem vou falar nada sobre vocês profanarem a memória do meu quarto de infância.
Todos a encararam com uma expressão incrédula.
- O que é? Aquela escrivaninha foi parte da minha infância, ‘tá, e agora foi totalmente desonrada.
- Falou a pessoa que NUNCA ficou com ninguém nesse quarto. – Hyunsik debochou, lançando um olhar sugestivo para a irmã, por cima da armação quadriculada. Henry encarou o teto, deixando que um sorriso malicioso adornasse seus lábios ao relembrar das diversas aventuras naquele recinto.
Ao perceber o silêncio do marido, Hyerin deu um bom tapa em suas costas.

- CALA A BOCA. – Vociferou ela. – E explica logo. – Ele deixou os ombros caírem.
- A gente ‘tá junto há uns seis meses já, se é isso que vocês querem saber. – Respondeu o mais novo da família Oh.
- O quê?! E por que a gente nunca soube disso? – Hyerin se sentia ofendida.
- Porque vocês são um pé no saco, da última vez quase organizaram um casamento. – A irmã mais nova de Henry cruzou os braços, a risada alta de Peter ecoou no lugar.
- E você, Peter, fica tratando a Whitney como se ela fosse só uma diversão pra mim. – Ele colocou as mãos nos bolsos, a mulher ao seu lado apoiou o corpo em uma perna.
- Pois é, você até conseguiu um encontro pra ele, mesmo sabendo que estávamos juntos. – Ela o encarou séria, Peter só deu de ombros. – Vocês precisam encontrar o meio-termo, porque olha...
O casal Lau se entreolhou, ofendidos.
- Nós não ficamos planejando nenhum casamento. – O tom usado por Hyerin era culpado.
- Ah, não? – Hyunsik a encarou sério de novo. – Que tal o Henry me levando pra uma joalheria, especificamente na vitrine de alianças, no aniversário de UM MÊS com a Whitney?
- Ou você, Hyerin, passando em uma banca de jornal e me mostrando diversas revistas de noivas quando saímos, sendo que nós namorávamos há menos de três meses?
Culpados, os Lau deixaram os ombros cair.
- Okay. Pode ser que a gente tenha exagerado. – Disse Hyerin. Agora foi a vez dos dois irmãos mais novos suspirarem juntos. – Certo, ‘tá bem, a gente exagerou. – Ela bufou.
- Vocês precisam prometer que não vão interferir e muito menos insinuar nada. – Hyunsik levou a mão aos braços cruzados de Whitney, pedindo que lhes desse a mão, ela o fez de bom grado, deixando um sorriso adornar seus lábios.
Hyerin, melosa como sempre, sorriu, com os olhos brilhando.
- Eles ficam lindos juntos, né? – Sussurrou ao marido, que exibia uma expressão parecia.
- É impressão minha ou esse negócio de ser piegas é contagioso? – Com as mãos nos bolsos, Peter demonstrava pânico. – Ou, no mínimo, genético.
Os casais riram, Hyunsik aproveitou para roubar um selinho da mulher, que sorriu com o gesto.
- Peraí! Se vocês estão juntos há seis meses... – Hyerin cruzou os braços mais uma vez, após um curto momento pensativa. – Quando foram almoçar lá em casa, aquilo foi só encenação?

Eles se entreolharam e, culpados, sorriram.

3 meses atrás

Faltavam alguns ajustes para almoçarem, Hyerin e Henry arrumavam a mesa enquanto Hyunsik trazia copos e pratos, sendo seguidos pelas crianças que nada traziam, mas se sentiu parte do time. Foi então que a campainha tocou.
         - Ué, você está esperando mais alguém? – Perguntou Henry à esposa, que negou com a cabeça.
         - Deixa que eu atendo. Se for alguém indesejado, eu finjo que vocês não estão em casa e eu estou com as crianças. – Hyunsik deu de ombros e saiu, rumando a porta.
O advogado caminhou tranquilamente até a entrada da residência, abrindo-a e dando de cara com a irmã mais nova de Henry e, atualmente, sua namorada em segredo.
- Whit? O que você ‘tá fazendo aqui? – A expressão era de surpresa e a dela não estava diferente.
- O Henry me convidou. O que você está fazendo aqui? – Ela entrou, não esperando convite, já que não precisava.
- A Hyerin me convidou. – Deu de ombros. – Acho que é meio óbvio algo do tipo, já que nossos irmãos são casados.
- Será que é algum plano para nos juntar de novo? Eles não sabem que estamos juntos. – Ela o olhou séria. – Sabem?
- Não por mim. – Ele a olhou por cima dos óculos. – Até porque a ideia de ficar calado foi minha, né. – Ele cruzou os braços, fazendo-a rolar os olhos.
- Se for algo assim, é melhor a gente fingir o máximo de ódio possível, só para não dar bandeira. – As mãos estavam na cintura. – E nem oportunidade de fazerem algo.
Ele pendeu a cabeça para o lado, sorrindo de canto.
- O que foi? – Perguntou Whitney. Ao ouvir a pergunta, os braços masculinos foram descruzados e guiados a cintura alheia, puxando-a para perto.
- Nada. Você só fica muito bonita quando planeja algo, principalmente, se esse é algo é para enganar os nossos irmãos. – O rosto se aproximou do dela, que riu com o comentário, selando os lábios dele de forma rápida.
- O papai sempre defende a Lizzy e ela fez errado! – A voz do pequeno Mike ecoou na sala, fazendo-os se afastar.
- Ih, discussão familiar. É melhor a gente ir. – Hyunsik a puxou pela mão, lembrando do “acordo”, soltando-a em seguida.
- Eu vou primeiro, espera uns cinco segundos e vai depois de mim. – Roubou um selar e saiu, olhando para trás e estalando os dedos, já que o namorado encarava suas costas com olhar malicioso. – Anda!
Ao chegar na cozinha, a cena era uma das suas favoritas: Mike estava reclamando com os pais após uma bronca que, pelo que tinha ouvido, era por conta de um puxão de cabelo.
Idêntico ao pai.
- É impressão minha ou o Mike herdou sua capacidade de importunar irmãs, Henry? – Perguntou, chamando a atenção dos presentes e acabando com a discussão, já que os pequenos correram até ela.

- Enfim, foi isso. – Whitney deu de ombros, erguendo as mãos rapidamente, recebendo olhares de reprovação. – Que foi?
- Vocês ficaram se alfinetando só para nos enganar? É sério isso? – Hyerin encarava com um pequeno bico irritado nos lábios. – Quantos anos vocês têm? Dezesseis?
- Isso tudo é pela minha carinha de jovem? Obrigado, irmã. – Hyunsik alfinetou, recebendo um negar de cabeça como resposta.

A voz de um Mike sonolento e assustado ecoou no corredor, fazendo Henry e Hyerin se dirigirem ao quarto ao lado com pressa, enquanto Hyunsk e Whitney deram as mãos mais uma vez e saíram dali, rumando o andar de baixo. Peter ficou sozinho, encarando os amigos deixarem o lugar, tendo as mãos nos bolsos e encarando o teto por algum tempo.

- Eu realmente preciso de amigos solteiros.


FIM 

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