FIRST LOVE 2 — IV

16:31


12 anos se passaram desde o dia em que Henry encontrou, no porão, um desenho dele mesmo ao lado de Hyerin. Após tê-la reencontrado e se apaixonado novamente, suas vidas tomaram o rumo esperado: formaram-se, casaram-se, tornaram-se pais. Nesta sequência de “First Love”, o casal bochechas vive repleto de lembranças e boas memórias de tudo aquilo que passaram juntos. Uma em específico, porém, nunca foi mencionada ao marido por parte da mulher. Por que aquele nome nunca foi mencionado antes?
[I] [II] [III] [IV] [V] [VI + EPÍLOGO]

IV.

         A tensão que se instalou na mesa foi inevitável. Hyunsik sequer disse aquilo de propósito, ele só não suportava o ex-namorado abusivo de Hyerin e, ao saber da existência de Henry – e depois de checar se ele realmente era um cara que valia a pena – ficou feliz por sua irmã ter encontrado alguém que a amasse. Henry havia ficado incomodado com aquele assunto desde o churrasco. Não era ciúme, ele só não entendia o porquê, tanto Hyerin quanto Peter, o esconderam aquela informação. Já ela, permanecia quieta, ainda processando o que deveria falar e se deveria falar. Henry era cabeça dura e não sossegaria enquanto não tivesse a informação que desejava. Os olhos demonstravam receio, quando a voz do filho ecoou em seus ouvidos e roubou a atenção da mesa.
         - Ei, vocês grandes! – O menino chamou, alheio a tensão que rondava os pais e os tios. – Quem é Liam?
         Os quatro mais velhos ficaram estáticos. Hyunsik e Whitney tinham os olhos fixos no casal e, ao encarar os pequenos, notaram a curiosidade inocente em seus olhos. O advogado respirou fundo e apoiou ambos os braços na mesa, encostando o queixo ali em seguida. O olhar se fixou nos sobrinhos.
         - É um amigo que a mãe de vocês tinha antes de conhecer o seu pai. – O tom de voz era um sussurro, fazendo as crianças acreditarem que aquilo era um segredo de Estado. – Mas ele era bem chato. Gritava com a sua mãe e tudo mais. Aí a Hyerin mandou ele ir embora. E aí o pai de vocês apareceu e ela esqueceu do amigo chato dela.
          O olhar da mulher era preso ao de Henry, mas não demonstrava mais receio. Estava convicta que aquele assunto não deveria ter sido tratado entre eles na época, afinal, Liam era um imbecil. Havia dito e feito coisas que Hyerin fazia questão de não se lembrar. Enterrar aquele assunto no passado era algo necessário e ela não viu razão em contar à Henry, uma vez que o homem em questão havia sumido da vida deles.
         Henry, porém, não se convencera daquela explicação. Ele insistia que havia algo a mais por trás daquela história toda. Se fosse só um relacionamento conturbado, Hyerin o teria contado. Porém, era sensato o suficiente para não prolongar o assunto naquele momento, ainda mais na frente das crianças. Era algo que deveria ser discutido apenas entre sua esposa e ele. E deixaria aquilo para depois.
         E Whitney, bem, esta permanecia ocupada com o copo de suco que segurava.
         - Ainda bem que o papai apareceu, né? – Lizzy quebrou o silêncio, tão alheia da situação quanto o seu irmão. – E eu acho que esse Liam deve ser bem feio. O papai é mais bonito. – O sorriso largo lhe adornou os lábios e os mais velhos riram, em uma tentativa de quebrar o clima.
         - Eu não vou concordar com isso, mas digo que ele era o cara mais chato desse mundo. – Disse Hyunsik, entre risos. O olhar passou a ser sério, fixo no cunhado. – Mas o pai de vocês é melhor mesmo. Sempre confiei nele para cuidar de Hyerin e de vocês.

         Henry apenas assentiu, entendendo o que aquele olhar sério queria lhes dizer:
         “Não pense em atormentar minha irmã com esse assunto”.

XxXXXxxX


         O almoço havia terminado e, depois da sobremesa, Hyunsik ser obrigado a lavar a louça, enquanto Hyerin e Whitney colocavam os papos em dia, Mike tropeçar no próprio pé, culpar Lizzy por isso e arrancar risadas de todos os presentes, Hyerin, o irmão, a cunhada e as crianças estavam na sala, vendo um filme qualquer e brincando com bonecos super-heróis e bonecas princesas, juntos. Henry tinha ido tirar um cochilo e, dada a última tensão no almoço, ninguém – além das crianças – se opôs a isso.
         - Tio Hyunsik! – Mike, que estava no colo da mãe, chamou a atenção subitamente. – Mas a Lizzy e eu é unido também, sabia? – Os adultos ficaram confusos com o assunto repentino.
         - Mike, você deve dizer “Lizzy e eu somos”, meu bem. – Corrigiu a mãe e ele assentiu. – Mas do que você está falando?
         - Lizzy e eu somos unidos. – Disse ele, convicto. – Porque a senhora falou do dia que o Tio Hyunsik deu o óculos. E aí eu lembrei que a Lizzy e eu somos unidos também. – Concordou com a cabeça, sorrindo por ter falado certo duas vezes. A irmã, que olhava para o menino curiosa, pareceu entender do que ele estava falando e ficou de pé, batendo palmas.
         - Sim, a gente é unido! Uma vez, papai e mamãe estavam brigando e a gente fez um plano pra juntar eles de novo. – Ela gesticulava, animada para contar a história. – A ideia foi minha.
         - É, mas eu ajudei. – Apressou Mike. Hyunsik, que olhava para as crianças divertido diante de tanta animação, fez-se curioso com aquela história.
         - E o que vocês fizeram? Venham cá, contem pro Tio. – Ele chamou com as duas mãos e Hyerin negou com a cabeça. As crianças se sentaram, cada um de um lado do homem.
         - É impressão minha ou o Hyunsik é a estrela e ninguém está me dando atenção? – Whitney forjou irritação, preocupando as crianças que, em súbito, correram até ela.
         - Nãããão! – Mike quase gritou. – A gente conta pra você também, tia Whit. – O menino segurou na mão dela, puxando-a para sentassem todos próximos. Lizzy ficou entre Hyunsik e Whitney.
         - ‘Tá bom. Eu conto porque eu que tive a ideia. – Lizzy arrumou a saia do vestido.
         - É, mas eu ajudei. – Mike repetiu, arrancando risos dos adultos.
         - Tá, Mike! Eles já sabem. Mas Tio, foi assim...

8 meses atrás
Apesar de alguns desentendimentos entre Mike e sua recém-chegada irmã, os atritos entre os pequenos passaram e a convivência entre eles só melhorava, o que já não era o caso de seus pais. Há duas semanas que Hyerin e Henry brigavam com uma facilidade incrível. Até o pote de biscoitos fora do lugar era motivo para que os dois começassem a discutir e só terminava quando travesseiros e cobertores eram jogados no sofá, indicando que ali seria a cama de Henry naquela noite – e pela semana inteira. Elizabeth, temendo que aquelas brigas pudessem fazê-la voltar ao orfanato o qual ela não sentia saudades, já pensava no que deveria fazer para cessar aquilo. Eles eram pais muito legais para continuarem daquele jeito.
Era tarde de domingo, o dia mais propício para discussões, pois os dois estavam em casa, mas naquele em questão, Hyerin decidiu ignorar o marido. Era mais fácil não lhes dirigir a palavra do que ser recebida com arrogância sempre que tentava iniciar um diálogo. Já Henry, nem mesmo se deu ao trabalho de olhar para a esposa, estava ocupado demais aproveitando o seu dia de folga fazendo absolutamente nada, largado na cama e vendo um bom filme na televisão. O clima estava menos tenso do que costumava ser e Lizzy imaginou ser o dia perfeito para colocar o seu plano em ação. Os pezinhos mal tocavam o chão enquanto corria em direção ao quarto do irmão, tentando ao máximo ser discreta, mesmo que os adultos estivessem ocupados demais para notarem sua movimentação.
- Ei, Mike! – Chamou baixinho ao segurar o batente da porta com ambas as mãos, deixando apenas o rosto visível. O irmão que brincava com seus bonecos de super-heróis, virou-se para ela com uma expressão curiosa e levemente assustada.
- O que foi? Eu ‘tô brincando. – Reclamou ao se levantar, cruzando os braços. A irmã olhou os lados e notando a porta do quarto dos pais apenas encostada, achou melhor entrar e contar da ideia em segurança.
- Eu tenho um plano pra fazer papai e mamãe pararem de brigar. – Disse ao colocar as mãos na cintura e viu o irmão demonstrar interesse. – E você vai me ajudar.
Era a primeira vez que Mike via seus pais tão irritados um com o outro. Antes da chegada de Lizzy eles tiveram sim algumas brigas, mas nada que durasse tanto tempo. Ao ouvir que a irmã estava tão disposta quanto ele a acabar com aquilo, correu até a porta do quarto e a fechou, voltando para a menina, puxando-a pelo braço e fazendo-a se sentar no chão enquanto fazia o mesmo.
- Diga. – Os cotovelos se apoiaram nos joelhos e os olhos eram atentos enquanto a loira falava.
******

Fazia alguns minutos que Henry tinha saído de casa sem dizer para onde iria e Hyerin também não fez questão de perguntar. Com ele fora de casa seria mais fácil de analisar umas coisas do trabalho, já que as crianças estavam quietas vendo TV. A mulher estava em sua escrivaninha, com inúmeros papéis e fotos, concentrada o suficiente para não notar a presença do filho no quarto, percebendo apenas quando sua mãozinha lhe tocou o braço.
- Oi, Mike. – Ela sorriu ao olhar para ele, logo voltando sua atenção ao que fazia.
- Mamãe, o que a Lizzy tem? – Seu rosto expressava confusão e o tom de voz era assustado. Hyerin suspirou, largando a caneta que segurava e se voltando para o garoto.
- Mike, nós já conversamos sobre sua irmã, ela é...
- Não, mamãe! Não é isso. – A cabeça negou de forma frenética. – Eu gosto da Lizzy agora. É outra coisa.
- Então o que é? – Foi então que ela notou a confusão nos olhos do filho e se viu preocupada. Não estava gostando nada daquela conversa.
- Ela não quer acordar. – O garoto disse em um muxoxo e fez um pequeno bico nos lábios. – A gente ‘tava brincando e aí ela parou de correr e fez uma cara de dor. Eu pensei que ela ‘tava fingindo, né. Mas aí ela caiu. Eu sacudi ela, mas ela num acordou.
A cada nova palavra de Mike, Hyerin se sentia ainda mais culpada. Se sua mais nova filha estivesse passando mal há alguns dias, não havia notado por estar ocupada demais brigando com Henry por motivos que nem ela sabia os quais. Ao ouvir o final do relato de Mike, ela se levantou em súbito, sem nem mesmo esperar que o garoto terminasse de falar ou viesse atrás de si. Não sabia se ela estava no próprio quarto ou no do irmão, mas sua preocupação era tanta que saiu correndo pelo corredor, abrindo todas as portas até encontrar a loira estendida sobre o tapete azul do quarto de Mike. Enquanto isso, o pequeno Lau tentava conter o sorriso de vitória, correndo atrás da mãe, parando ao seu lado quando a viu se ajoelhar próximo da irmã.

- Vocês fizeram o quê?! – Os tios gritaram juntos, quase perdendo o ar de tanto rir. Hyunsik só conseguia imaginar o desespero da irmã. Certo que era algo bem preocupante, mas ainda assim, não deixava de ser engraçado.
Henry, que tinha acordado poucos minutos antes, caminhava pelo corredor relaxadamente, quando ouviu a voz de Lizzy, contando do dia em que os filhos quase mataram ele e Hyerin do coração. Ao chegar na sala, encostou-se na parede que dava acesso ao corredor, dedicando sua atenção a história da pequena.
- Isso ainda é o de menos. – Disse ele, divertido, roubando a atenção de todos na sala.
            - Vem, papai. – Mike chamou, pedindo, inocentemente, para que o pai se sentasse perto da mãe. Àquela altura Henry já tinha esquecido do assunto que envolvia Liam, por isso nem pensou duas vezes antes de se juntar a esposa, sentando-se entre ela e a irmã.
- Eu num acabei, af. – Reclamou a loira, formando um bico nos lábios. Os demais seguraram o riso e assentiram para ela. – ‘Tá bom, aí quando a mamãe me viu no chão...

- Lizzy! Lizzy, meu amor, é a mamãe. Fala comigo. – As mãos da mais velha estavam no rosto da menina, dando leves tapinhas, mas sem nenhuma reação em resposta. Tocou-lhe o peito e sentiu o coração bater de forma suave, tranquilizando-a um pouco. – Mike, pega o celular da mamãe lá no quarto. – Pediu ao outro enquanto puxava a garota para seu colo, sacudindo-a com cuidado, mas sem sucesso algum.
Mike chegou com o aparelho celular em mãos, entregando-o para a mãe, ajoelhando-se ao seu lado e apoiando as mãos nas pernas, observando a cena com curiosidade. Hyerin discou os números que já sabia de cor, aguardando impacientemente que o marido atendesse. “Vamos, Henry, vamos” pedia, receosa de que, diante da situação que viviam, ele se negasse a atender a ligação. Henry, que tirava o carro da garagem para ir até a casa de Peter, sentiu o celular vibrar no bolso, puxando-o e lendo o nome de Hyerin no visor. Suspirou e parou o carro, deixando o porteiro do prédio confuso, já que ele tinha acabado de pedir para abrir o portão.
- Fala. – Disse sem muito ânimo, olhando pelo retrovisor para ver se mais alguém iria sair no momento, vendo que não, relaxou no banco.
- Henry, onde você ‘tá? – O tom de voz era desesperado e ele arregalou os olhos.
- Indo pra casa de Peter. – Se não fosse o tom em que ela fez aquela pergunta, ele não teria respondido. Mas o desespero o deixou preocupado. – Por quê?
- Lizzy desmaiou e eu não sei o que fazer. Mike disse que ela caiu enquanto brincavam. – As palavras saíam apressadas, tinha certeza que em questão de segundos ela começaria a chorar. Desencostou do banco ao ouvir do que se tratava e engoliu em seco. – Volta pra casa, por favor.
-Hyerin, calma. – Sabia que isso era impossível, pois ele mesmo já começava a se desesperar. – Eu não cheguei a sair do prédio, estarei aí logo. – Desligou o aparelho e o jogou no banco do carona, avisando ao porteiro que não iria mais sair, deixando-o ainda mais confuso, guardando o carro e correndo até o elevador.
O celular foi jogado ao chão, a preocupação da mulher estava exclusivamente na loirinha em seus braços adormecida por motivos desconhecidos. Mike pegou o aparelho da mãe com cuidado, colocando-o sobre o criado-mudo, gostava dos joguinhos que tinha nele. Dois minutos e ouviu-se a porta do apartamento se abrir e fechar com rapidez e passos rápidos no corredor. Henry surgiu ofegante na porta do quarto, correndo na direção de Hyerin, ajoelhando-se ao seu lado e se aproximando da pequena em seus braços.
- Henry, eu sou uma péssima mãe! Eu nem sabia que ela andava passando mal, eu nem notei que ela estava tendo isso... – O tom era choroso, ela fechou os olhos e Henry pegou Lizzy no colo, acomodando-a para que um braço ficasse livre e fosse guiado até o rosto da esposa.
- Isso não é culpa sua, Hyerin. – Ergueu seu rosto e acariciou a bochecha, tentado acalmá-la. Mike sorriu pequeno. – Calma, ‘tá. Vamos levá-la ao hospital e assim vamos descobrir o que estava acontecendo que não percebemos. – Hyerin levou as mãos ao rosto tentando se acalmar e concordou com a cabeça, já se preparando para levantar dali. Mike arregalou os olhos, o plano estava indo tão bem...
- HOSPITAL?! Eu não gosto de hospital, eles vão colocar agulhas em mim. – Lizzy levantou dos braços do pai com rapidez, deixando os demais confusos e Mike levou as mãos ao rosto. Eles seriam mortos.
- Elizabeth Lau... você estava fingindo? – Hyerin disse pausadamente, não acreditando que tinha caído naquilo. Henry estava confuso, colocando a garota de pé ao lado dos dois e cruzando os braços. Lizzy abaixou a cabeça, unindo as mãozinhas.
- A gente queria que vocês parassem de brigar. – Ao ouvirem “a gente” os dois olharam para Mike que também abaixou a cabeça. – E eu vi num desenho uma vez que os pais pararam de brigar quando a menina ficou doente. – O tom de voz era triste, culpado. Henry se levantou, lançando um olhar culpado para Hyerin que o encarava do mesmo jeito, suspiraram. Ele se aproximou da esposa e lhes segurou os dois braços, acariciando-os, ela levou a mão direita até a testa, fechando os olhos.
- Resolva você. – E ainda processando tudo que acontecera ali, Hyerin saiu do quarto. Henry a assistiu sair e então se sentou na cama, chamando os dois para se sentarem, ficando um de cada lado. Encarou o chão pensando numa forma de conversar com eles sem os magoarem. Mesmo que seu plano quase matara Hyerin do coração, só estavam tentando ajudar.
- A mãe de vocês e eu ficamos felizes de vocês se preocuparem. – Disse após um longo suspiro, passando a mão na cabeça de cada um. – Mas essas coisas nós adultos que resolvemos. Vocês viram, ela quase começou a chorar de tão preocupada. – Os pobres pequenos encaravam o chão, envergonhados de seus atos. Henry se levantou e beijou a testa de cada um, agachando-se. Os dois olharam para ele.
- Mas da próxima vez que forem fazer algo assim, me avisem que eu ajudo, ‘tá? – Enviou uma piscadela, e os dois sorriram ao se encararem, voltando a olhar para o pai e riram da situação.

         - Que história é essa de “na próxima eu ajudo”?! – Hyerin estava completamente indignada com o que acabara de ouvir. Henry tinha um sorriso culpado nos lábios, as crianças exibiam expressões vitoriosas, e Whitney e Hyunsik gargalhavam.
         - Eu tenho os melhores sobrinhos do mundo, sério. – Whitney estendeu os braços, chamando as crianças que não relutaram ao carinho e correram até o colo da outra. Hyunsik observou a cena calado, sorrindo de canto.
         - Você me disse que tinha deixado os dois de castigo por duas semanas. – Reclamou ela, cruzando os braços.
         - Sim, eu disse. Só não especifiquei duas semanas sem o quê. – Respondeu sincero, sorrindo cumplice para as crianças.
         - Papai deixou a gente duas semanas sem comer brócolis. – Respondeu Lizzy, sorrindo travessa.
         - Mas vocês odeiam brócolis.
         - Exato. – Disse Henry, desviando, sem sucesso, do tapa dado pela esposa em seu braço.
         - Mas então... – Era Hyunsik, após cessar seus risos. – Vocês conseguiram fazer os dois pararem de brigar?
         - A gente num sabe. – Mike deu de ombros. – Eles ainda brigaram um pouquinho depois daquele dia.
         Hyerin e Henry se entreolharam e riram.
         - Certo, a gente não parou de brigar naquela semana, mas no dia em questão, a gente se resolveu. – Ele olhou para Hyerin e aproveitou da aproximação para cutuca-la na cintura, fazendo-a se aproximar mais. – Sua mãe estava tão nervosa, que não resistiu aos encantos do papai. – Ele sorriu largo e ela rolou os olhos.
         - Okay, eu admito que vocês conseguiram, pelo menos um pouco. Eu estava no quarto, pensando em como dar uma surra em vocês dois, quando o Henry chegou...

8 meses atrás – no mesmo dia

- Você falou com eles? – Perguntou Hyerin ao notar a aproximação de Henry no quarto, erguendo o rosto e afastando os cabelos que impediam sua visão. Estava encostada na escrivaninha que antes trabalhava. Ele concordou com a cabeça e de braços cruzados caminhou na direção dela. – Você os deixou de castigo, não é?
            - Por duas semanas. – Disse ao parar de frente para ela, suspirando. – Como você está?
            - Ainda nervosa. – Mais um suspiro e as mãos foram aos cabelos, bagunçando-os enquanto erguia o rosto com os olhos fechados, deslizando as mãos até o pescoço, pendendo a cabeça para trás. – Eu pensei tanta coisa. Que ela poderia estar doente, que ficaria internada, que a tiraram de nós, eu...
            - Calma. – Guiou as mãos até os braços dela, afagando-a com cuidado. Ela pendeu a cabeça para frente assim que sentira o carinho, entregando-se ao mesmo. – Já passou. Era tudo um plano deles, certo? Não perca tempo pensando em coisas ruins. – Devagar, as mãos de Henry deslizaram pelas costas dela em uma iniciativa de abraço que foi aceito de bom grado. Hyerin desencostou de onde estava e se apoiou no peito do marido que a puxou em um abraço apertado. Os braços dela passaram por sua cintura e o puxaram, como se a proximidade que estavam ainda não fosse o suficiente. Permaneceram daquela maneira por um longo tempo, apenas aproveitando do carinho um do outro que há um bom tempo não tinham.
            - Eu vou avisar a Peter que não vou mais. – Disse ele assim que sentiu os braços dela afrouxarem o abraço, mas manteve os seus ao redor de Hyerin. – Com o susto eu nem tive tempo de dizer nada e ainda bem. – Riu baixo ao imaginar o quanto o amigo também ficaria preocupado ao saber do “desmaio” de Lizzy. Deu indícios de que iria se afastar e as mãos dela, que agora estavam repousadas em seu peito, seguraram o tecido camisa com foça, impedindo-o de sair.
            - Depois você avisa. – Suspirou e ergueu o rosto, podendo encarar o dele tão perto, fazia tempo que não tinha aquela oportunidade. – Fica aqui comigo. – Sussurrou. Henry, que sentiu o coração falhar uma batida ao ouvi-la pedir aquilo tão próximo, sorriu pequeno e firmou um dos braços em volta do corpo dela, guiando a mão livre até a testa alheia, afastando os cabelos para que pudesse deixar um leve selar ali. A mesma mão deslizou até a nuca de Hyerin, onde passou a acariciar seus cabelos de forma leve e cuidadosa.
            Indiretamente e apesar de terem fracassado, o plano dos pequenos havia dado certo. Mesmo que não estivessem se reconciliado de fato, mas a situação serviu para uni-los pelo menos mais uma vez, já que tudo que Henry queria era acalmá-la e tudo que Hyerin mais precisava, era do cuidado dele.

- AEEEEEEEEEE! – As duas crianças, que até então não sabiam dessa história, ficaram de pé e começaram a pular. Os tios, agora entre os dois pequenos, tentavam se livrar de possíveis chutes, mas a única coisa que conseguiam era rir.
Whitney e Hyunsik se entreolharam aos risos, sorrindo largo em seguida. Tal fato foi ignorado pelos outros.
         - Eu ainda não acredito que você não os deixou de castigo! – Hyerin tentava, inutilmente, parecer irritada.
         - Qual é, Hyerin! Vai dizer que você não se orgulhou da genialidade dos nossos filhos? – Ele arqueou uma sobrancelha.
         - Eu quase tive um troço!
         - O ponto não é esse, o ponto é que eles foram ótimos. – A mão que ainda a segurava na cintura, cutucou-a de novo.
         - E vai dizer que você nunca fingiu uma doença quando os nossos pais brigavam, né, Hyerin Lau?! – Revidou Hyunsik, fazendo os demais olharem para ela com uma expressão curiosa e divertida no rosto.

         - Eu deveria matar todos vocês, sabiam?

(Continua...)

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