FIRST LOVE 2 — II

15:56



12 anos se passaram desde o dia em que Henry encontrou, no porão, um desenho dele mesmo ao lado de Hyerin. Após tê-la reencontrado e se apaixonado novamente, suas vidas tomaram o rumo esperado: formaram-se, casaram-se, tornaram-se pais. Nesta sequência de “First Love”, o casal bochechas vive repleto de lembranças e boas memórias de tudo aquilo que passaram juntos. Uma em específico, porém, nunca foi mencionada ao marido por parte da mulher. Por que aquele nome nunca foi mencionado antes?

[I] [II] [III] [VI] [V] [VI + EPÍLOGO]



II.
         - Do que você está falando, Peter? – Hyerin quebrou o curto silêncio, cruzando os braços e, agora que estava sem os óculos de sol, encarava o loiro com um olhar curioso e desafiador.
         - Calma aí, dona Lau! Eu não tenho culpa se sou brother de um dos seus ex. – Ergueu os braços na defensiva e os demais permaneceram tão confusos quanto antes. Hyerin ergueu uma sobrancelha. – Ou era, sei lá né.
         - Você já me falou algo parecido uma vez, Peter. Hyerin e eu não namorávamos ainda. – Henry tinha os olhos semicerrados, numa tentativa de forçar sua memória para se lembrar do ocorrido.
         - Então faz tempo, hein. Porque vocês demoraram tanto nesse flerte que eu já estava perdendo a paciência. – O casal rolou os olhos juntos, Withney e Hyunsik riram. – O nome dele era Liam Fietcher, estudou comigo no meu terceiro período, quando demorei a aceitar as matérias e peguei uma matéria sem o Henry. – Os olhos de Hyerin se arregalaram e seu marido a encarou desconfiado.
         - Continue... – Disse a Peter, mas os olhos ainda eram fixos na esposa. Peter notou o momento de tensão que se instalou e estava se divertindo com isso, porém manteve a postura.
         - Você saiu da sala mais cedo pra ir tietar a Hyerin e eu...

12 anos e meio atrás

            Era só mais uma tarde comum em Crawford University, exceto pelo fato de Peter ter atividades avaliativas para terminar (copiar do amigo) e não encontrava Henry em lugar nenhum. Os dois primeiros horários haviam terminado e ele tinha sorte de ter o terceiro vago, assim poderia caminhar despreocupado pelo Campus a procura do amigo. A mochila em apenas um dos ombros, livros na mão esquerda e passos calmos eram dados em direção a saída do bloco L, quando avistou um rapaz alto, de cabelos negros e lisos conversando com algumas garotas. Parou e semicerrou os olhos, abrindo um largo sorriso e então apressou o passo, jogando-se sobre ele assim que se aproximou, quase derrubando o outro.
            - Ae, Liam! – Cumprimentou aos risos, logo após ser empurrado pelo amigo. – Volta e nem avisa os amigos, né, seu escroto.
            - E essa saudade de mim aí? – Liam riu e recebeu o dedo do meio alheio como resposta. – Eu ainda ia procurar por você, cuzão. Mas aí parei pra conversar com aquelas garotas...
            - Perdoado só por isso, porque né...Tudo pode esperar quando se trata de garotas. – Disseram o final da frase em uníssono e riram ao relembrar da época eu estudaram juntos.
            Liam Fietcher era estudante de Engenharia Mecânica, e por ter perdido uma das matérias iniciais, acabou pegando-a pela segunda vez com a turma de Peter. A única matéria que o loiro não estava na mesma turma de Henry, já que demorou a selecionar as disciplinas e não tinha mais vagas na classe do amigo. Peter e Liam eram os únicos que “sobravam” naquela turma e essa foi uma das razões para se tornarem tão próximos. Entretanto, no fim daquele mesmo semestre, Liam fora aceito no programa de intercâmbio da Universidade, mudando-se para Inglaterra no semestre seguinte. Mantiveram contato, é claro, mas não o suficiente para que soubessem de tudo um do outro.
            Os dois caminhavam juntos pelos pátios e corredores de Crawford, colocando o papo em dia e flertando com algumas garotas, coisa que sempre faziam quando estavam juntos. Assim como Peter, Liam era conhecido entre as estudantes, o que só facilitava a vida de ambos na hora de uma boa cantada. Chegaram até a praça de alimentação da área de humanas e sentaram-se por ali após a compra de gordurosos lanches. Enquanto o loiro contava o seu último (des) caso com uma aluna de arquitetura dona de um belo par de seios, Liam notou uma garota em especial que estava sentada próximo ao jardim do bloco C. Os cabelos pretos estavam mais compridos e cacheados. Os óculos não adornavam seu rosto e a câmera estava em suas mãos, como sempre. Um sorriso, mesmo que pequeno, adornou os lábios do rapaz, fazendo Peter perceber que tal animação não era pela sua história.
            - ‘Tá sorrindo assim bobo por quê? – Perguntou estalando os dedos para chamar a atenção do outro e Liam negou com a cabeça.
            - Nada, nada não. – Voltou sua atenção para o loiro e então resolveu rondá-lo. Fazia um ano que não pisava os pés em Crawford University e Peter era influente, ninguém melhor que ele para lhes dizer como as coisas estavam. – Aí, você conhece as garotas de Humanas? Sei lá Publicidade, Direito, Fotografia...
            Peter, que estava concentrado em seu X-bacon com bastante mostarda só prestou atenção na fala alheia quando ouviu a última palavra. Ele ergueu o rosto e olhou ao redor, encontrando Hyerin sentada no seu lugar de sempre e Henry aparecendo logo em seguida, sentando-se ao seu lado e recebendo o sorriso largo da garota em resposta. O olhar se voltou para Liam que tinha uma expressão desgostosa e irritada no rosto, aparentemente, encarava o mesmo casal que Peter.
            Só podia ser brincadeira.
            - Chatas. – Ele fez uma careta e voltou a morder o sanduíche, mal engolindo e falando quase que de boca cheia. – Toda menina de humanas fala demais, tem que ter muita paciência pra dar em cima delas. Se eu fosse você, procuraria alguém de gastronomia. Bonitas, não falam muito e ainda tem comida de graça. – Ele deu sorte que não havia garotas por perto ou receberia olhares de reprovação pelo comentário insensível. Liam apenas riu, apesar do pouco ânimo, e negou com a cabeça.
            - Beleza então. Escuta, eu preciso ir agora. Tenho que ir na Coordenação reabrir a matrícula e fazer todo aquele blábláblá de novo. – Liam deslizou pela cadeira e suspirou, cansado só de pensar em tanta burocracia. – Valeu aí, será que rola da gente pegar matéria junto ainda?
            - Rapaz, sei não, viu. Mas eu te passo minha grade pelo facebook e você olha se dá.
            - Beleza então, vê se não morre depois de comer isso aí. – Arregalou os olhos ao citar a refeição do amigo e depois riu, empurrando a cabeça de Peter sem muita força.
            - ‘Tá bom, mãe. – Negou com a cabeça e riu. Assim que o colega se afastou o suficiente, ele olhou para trás de novo e o casal ainda estava lá, sendo piegas como sempre. Recolheu mochila, livros e lanche, e seguiu na direção deles com a sua costumeira cara-de-pau.
            - Mas olha só se não é meu casal favorito. – Disse alto, chamando a atenção das pessoas das outras mesas e Henry negou com a cabeça, Hyerin apenas riu.  – Cara, preciso da tua atividade avaliativa, nem fiz porque sabia que você ia fazer. Agora passa aí pra eu copiar.
            - Você fala como se eu tivesse obrigação, né. Otário! – Henry bufou, mas apesar do que dissera, abriu a mochila e retirou as folhas, entregando-as para o outro.
            - Eu tenho três palavrinhas pra vocês dois: Terapia de casal. – Hyerin apenas ria da discussão de ambos que sempre acontecia quando Peter aparecia, sabe-se Deus de onde, para atrapalhá-los. – E eu já volto, vou comprar uns chocolates.
            - Eu gosto de chocolate branco, obrigado. – Sugeriu o loiro e ela apenas o encarou séria, como se dissesse “eu não te ofereci”, mas apenas saiu e seguiu para a lanchonete. – Se liga, vê se não dorme no ponto com a bochechinha aí que tem gente de olho nela também.
            - Do que você está falando? – Henry arregalou os olhos e se aproximou mais do amigo, a fim de ouvir mais.
            - É isso mesmo que eu ‘tô te falando. Se liga porque na lerdeza que anda esse flerte aí, sei não viu... – Recebeu um belo tapa na cabeça, mas antes que pudesse reclamar, Hyerin estava de volta com chocolates diversos que foram disputados pelos garotos, não sem antes levarem uma boa bronca da moça.

         - E foi isso aí. Ele ainda me perguntou umas três vezes sobre você, Hye. Mas eu disse que vocês estavam saindo. – Ele deu de ombros. – Quando a gente estudava, ele sempre falava de uma namorada dele, mas eu nunca imaginei que fosse você.
         - Por que eu nunca soube disso, Hyerin Lau? – Henry tinha uma expressão séria e os braços cruzados. Os três que assistiam aquele início de discussão, mantiveram-se atentos como se estivessem vendo um filme de suspense.
         - Porque eu nunca achei necessidade de contar. Namorei Liam um ano antes de te reencontrar e tecnicamente ele estava fora do país. – Ela estava começando a ficar nervosa. Sabia que se fosse o contrário, não iria gostar de saber de algo parecido. Mas era mais complicado do que parecia. – Não imaginei que ele voltaria pra Crawford.
         - Mas ele voltou e tentou saber de você. Vai me dizer que ele nunca te procurou? – Hyerin desviou o olhar e se encolheu.
         - Bom... – Ela mordeu o lábio inferior e Henry começava a se alterar. Antes que ele abrisse a boca, Peter se pronunciou.
         - Ele só foi uma vez. Antes de tentar a segunda, fui dar um toque e nós acabamos brigando. – Todos os olhares se voltaram para o loiro, ele apenas ergueu os braços. – Que foi? Eu tinha falado pra ele que vocês estavam saindo, pra que ir atrás dela?
         Hyerin demonstrou preocupação.
         - Isso explica o olho roxo que você se negou a nos contar o que tinha acontecido. – Ela tinha a voz firme, mas ainda assim, preocupada. Peter respirou fundo e ignorou.
         - Eu vi quando ele foi falar contigo, ‘tá. Não que eu estivesse procurando por vocês, eu só ‘tava na fila da biblioteca quando você saiu andando rápido e ele te segurou pelo braço, querendo conversar e você se negou. – Ele deu de ombros. – Quando nos encontramos de novo, eu disse pra ele se afastar que você já estava com outra pessoa. Ele não me ouviu, começou a ser cuzão. Aí eu bati nele.
         - Ele ainda foi lá em casa umas duas vezes, mas eu expulsei. – Hyunsik comentou, adentrando o diálogo e amenizando a tensão no local. – Hyerin nem descia quando ele aparecia.
         - Só eu estou enxergando esse drama do Henry super desnecessário? – Whitney se pronunciou, recebendo uma sobrancelha arqueada do irmão.
         - Obrigada, finalmente alguém ao meu favor. – Foi a vez da cunhada falar, afagando a mão da mais nova.
         - É, cara. Dona Lau aí não tem culpa de nada, o cara que era cuzão. Mas com Tio Peter aqui e Seu Hyunsik ali, ele aquietou e ficou longe da sua amada. Então nos agradeça. – Ambos se olharam e ergueram as mãos, adotando expressões divertidas.
         - Quer saber, chega! – Hyerin elevou a voz. Os demais demonstraram surpresa ao vê-la tão irritada. – Aqui não é hora e nem lugar para essa discussão.
         E, após um longo silêncio, Peter relembrou o placar do jogo de hóquei do dia anterior, o que causou grande alvoroço, deixando o passado de Hyerin de lado.
         Afinal, eles eram canadenses.


(Continua...)

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