FIRST LOVE — FINAL

07:33



Às vezes fico tão curioso sobre você, sobre o que você se tornou.
Às vezes penso em você, sinto tanto a sua falta.
O que estaria fazendo agora?
Primeiro amor, meu amor inesquecível,
Eu sou o único que ainda se lembra? Chamar-te-ei desesperadamente,
Até que eu possa te encontrar e te ter novamente.
Pra sempre.
Baseado em First Love –  After School.

                 
[I] [II] [III] [IV] [V] [VI] [VII + EPÍLOGO]

VII.
Quanto mais o tempo se passava, mais climas agradáveis rondavam os momentos que o casal se encontrava. As mães de ambos encontravam fotos acidentalmente e com estas, novas lembranças surgiam gerando mais risos e mais vontade de compartilhar aquilo que viveram quando crianças. A vontade de estar um com o outro só aumentava, assim como o humor dos dois parecia estar melhorando cada vez mais. Henry passava algumas tardes na faculdade estudando para as possíveis atividades práticas apenas para que pudessem voltar para casa no mesmo horário e ter sua companhia no ponto de ônibus. Hyerin passou a almoçar na faculdade praticamente todos os dias, até mesmo quando não tinha aula no período da tarde e poderia muito bem ir apreciar a comida da sua mãe em casa. E assim, foi-se um mês desde o dia em que se encontraram pela primeira vez nas redações do Núcleo de Comunicação e Imagem.
Entretanto, mesmo passando a maior parte do dia juntos e quando não juntos, conversavam por mensagens de texto, contato físico era realmente pouco. Henry a abraçou quando a garota estava nervosa por conta de uma exposição de fotografias que tinha para um trabalho e Hyerin beijava uma das fartas bochechas do rapaz em um leve descuido, quando se despedia dele vez ou outra. Mas, foram as únicas vezes em que algo aconteceu, mesmo que inúmeras fossem as chances para que um contato mais íntimo acontecesse. O motivo? Peter Jones. Ele estava lá quando o casal conversava animadamente na arquibancada da piscina da Faculdade, sabe se lá Deus como surgiu. O loiro também atrapalhou quando ambos caminhavam perto da biblioteca e um rapaz quase atropelou Hyerin ao passar por ela e fazê-la cair nos braços de Henry. Sem contar das vezes que almoçavam juntos e Peter se auto convidava para estar lá.
Henry percebeu que precisava estar com ela longe do amigo e o mais rápido possível. Como sua mãe havia pedido inúmeras vezes, a convidou para almoçar em sua casa depois da aula de sexta. Escolhera esse dia porque uniu o útil ao agradável: Naquela semana seu último horário era vago – já que a matéria só tinha aula a cada quinze dias – e era justamente o dia que Hyerin não tinha aula. Sendo assim, aguardaria que ela saísse do trabalho para que seguissem até a sua casa. Para se livrar de Peter apenas ignorou o amigo durante o dia inteiro e disse que precisava ir rápido pra casa ajudar na faxina da garagem e que se ele quisesse ajudar, estava convidado. Óbvio que o amigo não apareceu.
Chegaram finalmente na casa dos Lau e o casal estava levemente nervoso e pelo mesmo motivo: era a primeira vez da garota ali. Henry tinha medo de algo dar errado e Hyerin temia fazer alguma besteira. Mas os dois tentavam não demonstrar isso, fazendo comentários bobos sobre qualquer coisa, a fim de despistar a tensão.
Adentraram a sala e o rapaz largou a mochila ali mesmo um em dos sofás, estranhando um porta-retratos na mesa de centro que não estava ali antes. Semicerrou os olhos e pôde notar que era uma foto dele com a garota que trouxera para almoçar, sentados no balanço da escola. Estranhou e ergueu os olhos, encontrando mais três daqueles espalhados pela estante os quais antes continham fotos dos irmãos ou dos próprios pais, agora tendo Hyerin e ele como protagonistas. Claro, sua mãe havia atacado de novo. Ele riu com a maneira dela de ajudá-lo e se voltou para a garota que segurava um dos porta-retratos, sorrindo ao encarar a si mesma. Henry caminhou devagar até a garota, parando atrás dela e por conta da diferença de tamanho, podia muito bem observar a foto daquela maneira.
- Essa foi no dia do seu aniversário de cinco anos, não foi? – O tom era baixo por conta da aproximação. Ela não se assustou, apenas sorriu e passou o polegar pelo vidro que fazia parte do objeto.
- Aham. Você me deu um hamster de pelúcia, dizendo que ele se parecia comigo. – Riu fraco, meio nasalado. – Pensei que era uma brincadeira de mau gosto, comecei a chorar.
- Eu entrei em pânico e te expliquei que era por causa das bochechas dele, que me lembravam você. – Ele sorriu de canto e fechou os olhos por dois segundos, apreciando o cheiro dela que sentia claramente dali. Ela riu baixo de novo, fazendo o sorriso dele se alargar.
- E aí eu parei de chorar, segurando o Senhor Fofuxo durante o resto da festa. – Ambos riram mais uma vez e se Peter estivesse ali estaria gargalhando daquela cena totalmente piegas. – Tenho ele até hoje, nunca consegui me livrar.
Henry tomou a liberdade de repousar a mão direita na cintura da garota, tomando o devido cuidado para não assustá-la. Já Hyerin apenas sorriu com tal atitude, dando um curto passo para trás e apoiando as costas no peito dele, afinal, era maior que ela o suficiente para que pudesse fazer aquilo tranquilamente. Claro que era, todo mundo era maior que ela, se fosse parar para analisar.
- Ai meu Deus! – Senhora Lau surgiu na sala e recebeu a atenção dos presentes, fazendo-os alargarem seus sorrisos. – Hyerin, é você! – A mulher caminhava na direção do casal com um brilho intenso nos olhos, as mãos no rosto e os lábios levemente entreabertos, surpresa com a beleza da garota, ela não havia mudado nada.
A estudante colocou o porta-retratos na estante novamente e seguiu sorridente de encontro a mais velha, abraçando-a e recebendo frases como “Você não mudou nada” ou “Continua tão linda quanto era” e ficando extremamente feliz com isso. Senhora Lau segurava uma das mãos da garota e a outra acariciava gentilmente a bochecha farta de Hyerin, fazendo-a rir e seus olhos se tornarem pequenos tracinhos no rosto. E foi ali que a mais velha teve certeza que seu filho não teria outra saída a não ser se apaixonar por aquela garota (de novo).
Do outro lado da sala, não muito longe dali, Henry tinha as mãos nos bolsos e os olhos fixos nas duas mulheres da sua vida conversando tão animadamente a sua frente, o que gerou mais alguns risos nele. Se na prática tudo desse certo como estava dando na teoria, ele veria aquela cena se repetir com frequência. Em seguida, sua mãe o tirou de seus pensamentos, chamando-o para que fossem até a cozinha e levando a garota consigo, pelo braço. Senhor Lau já se encontrava lá – o que deixou o filho ainda mais feliz, ele havia saído do trabalho mais cedo – dando os últimos retoques na mesa e seus pratos maravilhosos, quando se deu conta da presença da garota e logo foi até ela, repetindo as palavras da esposa e gerando ainda mais risinhos dentro daquele cômodo.
- Ah, querida... me desculpe por os outros dois não estarem aqui. – Senhora Lau se explicava ao afagar a mão da garota levemente. – Clinton tem pouco tempo no trabalho e não pôde sair mais cedo e Whitney viaja ao lado dos avós. – O almoço já havia acabado, apenas conversavam a mesa, enquanto saboreavam a sobremesa preferida de Henry: pudim de leite.
- Ora, não se preocupe. Está tudo bem. – Ela sorriu e concordou com a cabeça. – Eu me lembro do Clinton. Ele ia buscar o Henry na escola às vezes e ficava impaciente com a demora dele pra se despedir de mim. – Riu e os demais a acompanharam.
- Clinton impaciente, procure a novidade. – Brincou Senhor Lau e mais alguns risos tomaram conta da conversa. – Perdão por sair as pressas, mas preciso voltar ao trabalho. – Levantou-se e foi em direção da esposa, beijando-a no rosto. Hyerin também se ergueu e o cumprimentou, e o homem então seguiu até o filho, recebendo um sorriso agradecido e um “valeu, pai” sussurrado em meio a um abraço. Logo após, sumiu.
- E aí mãe, alguma ajuda por aqui? – O garoto arregaçava as mangas da camisa que usava e já mirava louças e talheres da mesa quando sua mãe o repreendeu.
- Não, não. Podem ir, eu me viro por aqui. – Ela sorriu, daquela maneira que sorria sempre que o filho citava o nome da garota e fez um movimento com as mãos, indicando para que os dois chispassem de lá. Aos risos, o casal saiu dali e rumou as escadas, subindo até o quarto do rapaz.
Henry estava preocupado, não queria que ela pensasse coisas erradas sobre ele, afinal, ela era uma garota e garotas sempre pensam bobagens de coisas simples. Não queria que ficassem na sala, acabariam sendo atrapalhados pela sua mãe e tudo que ele mais queria era privacidade naquele momento. Estava cansado das pessoas (com pessoas, ele queria dizer Peter Jones) o atrapalharem sempre que tentava dizer a ela o que queria e por isso, não poderia ter descuidos. Mal sabia ele que privacidade era tudo que Hyerin queria. Ela mesma já não aguentava mais ir dormir imaginando como seria beijá-lo e sentir ainda mais raiva de Peter por aumentar o anseio dela quanto a isso. Parecia que cada vez que uma tentativa falhava, maior era a vontade que ela tinha de tentar novamente. Por isso, não encontrou problema no quarto dele ser o escolhido para ficarem sozinhos. Era Henry, afinal. Ele nunca lhe faria algum mal.
Ambos estavam extremamente nervosos.
- E aí! Os comentários de velho dos meus pais não te irritaram? – Ele cortou o silêncio, se encostando a escrivaninha e cruzando os braços. As pernas foram estiradas e também cruzadas, ela riu.
- Como assim “comentário de velho”? – Hyerin, que estava próximo à janela observando a vista para o quintal da casa dos Lau, virou-se com os olhos semicerrados e pendeu a cabeça.
- Ah, você sabe. “Nossa, você continua bonita” ou “Poxa vida, você não mudou nada”. – Forçou a voz e fez algumas caretas, ele riu de novo.
- Eu não ligo, a maioria das pessoas que me conhece desde pequena faz isso. – Deu de ombros e sorriu, cruzando os braços.
- Se bem que, eles não estão muito errados. – Saiu de onde estava e descruzou os braços, caminhando na direção dela com as mãos nos bolsos e parando em sua frente. Os olhos eram fixos no rosto da garota. – Você continua linda... – Fitou seus lábios rosados por um leve descuido e logo se voltou aos olhos dela. – e baixinha.
- ... Ha Ha Ha pra você, idiota. – Ela rolou os olhos e se virou para a janela de novo, cruzando os braços e voltando a encarar o quintal. Ele precisou segurar o riso, mas não teve muito sucesso. Era engraçado vê-la emburrada, não sabia exatamente o porquê. Já que agora ela havia lhe dado às costas, Henry ergueu o rosto e também fitou o quintal, suspirando. Era como se pudesse ver os dois de dezesseis anos atrás, correndo pela grama verde daquele espaço, sorriu pequeno.
- Eu ‘tô apaixonado por você. – Disse calmo e simples. – Quer dizer, de novo.
Hyerin arregalou os olhos. Sabia que ele era bastante direto, mas... não tanto. Achou melhor permanecer calada.
- Quando eu te disse que havia esquecido completamente de você, não menti. Apesar de toda a obsessão que eu tinha quando criança, não havia nenhuma lembrança, mínima que fosse e ainda tento entender o porquê disso. – Sua fala ainda era calma. – Mas bastou olhar para aquele desenho e tudo veio como um balde d’água na minha cara e fiquei com tanta vontade de te encontrar que liguei pra Tia Annie seis e meia da manhã. – Riu e suspirou aliviado, finalmente colocava tudo pra fora.
A mão esquerda deixou o bolso para novamente tocar a cintura da garota e Hyerin fez menção de descruzar os braços, Henry entendeu como um bom sinal. Subiu com esta até seu braço e a virou com cuidado, deixando-a novamente de frente para ele.
- E foi só te ver lá naquele coisa que você trabalha...
- NCI, Henry. – Riu ao corrigir.
- É, isso. – A acompanhou nas risadas. – Foi só te ver que tudo parecia ser como antes. Era como se você estivesse guardada na minha memória desde sempre e eu nunca tivesse notado.
Ela sorriu. A sensação de ouvir aquilo era tão boa que nem mesmo sabia explicar. Queria dizer alguma coisa e ao mesmo tempo queria esperar o que mais ele tinha a dizer. Queria dizer que correspondia, mas ao mesmo tempo queria demonstrar que correspondia. Sua decisão final foi dar dois passos para frente e descruzar os braços. As mãos foram de encontro ao peito de Henry e subiram devagar até que chegassem aos ombros, repousando ali. Os olhos dele brilhavam ao encarar as ações da garota e a mão no braço dela foi até seu rosto, erguendo-o e deslizando o polegar por sua bochecha, enquanto a outra finalmente saía de seu bolso para segurá-la pela cintura. O rosto se aproximou do dela e os narizes se tocaram. Ambos sorriram e fecharam os olhos, permanecendo daquela maneira por mais alguns segundos, como se não acreditassem que finalmente teriam aquela chance.
- Só estava tendo certeza que o Peter não surgiria do inferno pra nos atrapalhar. – Sussurrou Henry fazendo Hyerin rir e finalmente capturar os lábios dela como ansiava há um bom tempo.
O coração da garota falhou uma batida ao ser beijada daquela maneira, era ainda melhor do que tinha imaginado. Talvez as inconveniências de Peter tivessem servido para tornar aquele momento mais único, por conta da espera por aquele contato. Henry não sabia o que deveriam sentir, a sensação era maravilhosa. A boca dela era tão macia como ele pensava ser e a mão no rosto de Hyerin desceu até que se juntasse a outra na cintura da garota, trazendo-a para mais perto, como se isso fosse possível. Já ela, deslizou a mão direita pela nuca do rapaz até que esta chegasse a lateral do rosto correspondente, acariciando a bochecha que tanto gostava. Os lábios se moviam com cuidado, apreciando do sabor maravilhoso que cada um obtinha.
Não muito longe dali, indo e vindo para o próprio quarto propositalmente, senhora Lau caminhava pelo corredor no exato momento em que o filho beijou a moça. Anteriormente, a porta não estava tão aberta assim, mas passara por ali tantas vezes e cada uma destas, empurrava a madeira apenas um pouquinho, para facilitar sua visão. A felicidade da mulher era tão grande que por pouco não derrubou a cesta de roupa que segurava. Aos risos, correu em direção ao telefone mais próximo, comunicando a Annie Catherwood que o casal favorito de sua turma finalmente estava junto. Mal esperou que se despedissem, a professora aposentada ligou para sua grande amiga de infância, senhora Oh, mãe de Hyerin. A reação não podia ser muito diferente das mulheres anteriores e o casal mal imaginava que mesmo sozinhos naquele quarto, havia todo um público torcendo por eles.
O beijo chegou ao fim, alguns curtos selares foram deixados nos lábios um do outro e permaneceram daquela maneira, tendo a respiração descompassada tocando o rosto um do outro, o que gerou alguns risos bobos no casal. Os braços de Henry a seguravam firmemente em sua cintura, entrelaçando os próprios dedos e deixando-a presa ali. Hyerin levou uma mão até os cabelos dele e acariciava os fios com cuidado, deixando que um sorriso bobo adornasse seus lábios. Mas, apesar daquele maravilhoso beijo que trocaram, Henry ainda queria uma resposta a tudo que falara antes e seu coração batia acelerado não só pelo que acabara de acontecer, mas também pelas palavras dela que ainda não foram ditas.
- 1-4-3, Henry. – Ela piscou e riu, fazendo-o sorrir largo e selar seus lábios de maneira demorada. Sabia exatamente o que ela queria dizer.

Era fim de tarde e a aula no Jardim de Infância tinha terminado há poucos minutos. Os pequenos corriam pelo pátio da escola, brincando dos mais variados super-heróis existentes, soltando seus poderes com as mãos, pés e até palavras. Mas, havia um entre todos os outros que estava sentado, quieto até demais para o seu normal. Nas mãos, um chocolate com recheio de morango que pediu pra a mamãe comprar um dia antes e levara consigo junto ao lanche daquela tarde. Encarava o doce com os olhos baixos, medroso com a sensação em que seu coraçãozinho estava. Suspirou e levantou o rosto, encontrando a criança a qual era motivo de tanto desconforto, passando a encarar da garota ao chocolate freneticamente. Ela estava sentada, próxima ao portão, com suas duas bonecas princesas no colo, tinha um sorrisão no rosto.
         Seu nome era Hyerin Oh e tinha emprestado seus lápis de cor para ele na aula de desenho da semana passada. No recreio, Henry lhe dera um pedaço do bolo que levara como lanche em agradecimento a gentileza e assim, tornaram-se amigos. Até tinha defendido ela na frente de todo mundo quando Peter, o malvado, puxou o cabelo dela. Mas o garoto se sentia diferente. Quer dizer, não gostava dela do mesmo jeito que gostava dos seus amigos. Era diferente, de uma maneira melhor. Balançou a cabeça para os lados, afastando os pensamentos e finalmente saiu dali, colocando o bombom no bolso e caminhando de cabeça baixa até ela.
         - Oi. – Disse baixo e ela quase não ouviu. Hyerin ergueu os olhos e sorriu mais largo, deixando as bonecas de lado e ficando de pé pra falar com ele. Ninguém nunca foi mais importante que suas bonecas. A não ser sua mãe, é claro.
         - Oi, Henry! – As próprias mãos se entrelaçaram e ela queria abraça-lo, mas se conteve. Notou o jeito estranhou que ele estava. – O que foi? Sua mãe não vem te buscar? Papai pode levar você.
         - Não é isso. – Arregalou os olhos e riu, negando com a cabeça. – É que eu tenho um presente pra você. – As bochechas grandes estavam vermelhas e ela riu, nunca tinha visto ele daquela maneira.
         - Um presente? O que é? – A garota deu pulinhos e bateu palmas, o medo pareceu ir embora em Henry. O garoto colocou a mão no bolso e retirou o doce de embalagem rosa, em clara demonstração do sabor deste. A mão foi estendida na direção dela que sorriu novamente. Era seu chocolate favorito.
         - Segunda você trouxe um desse no seu lanche e eu pedi a minha mãe pra comprar um igual pra eu te dar. – Deu de ombros e sorriu pequeno, vendo a garota pegar o embrulho com rapidez. Antes que a garota dissesse algo, ele foi mais rápido. – Eu gosto de você. Mas num é como eu gosto do Junior, sabe? Eu gosto de você como o meu pai gosta da minha mãe. Eu sei porque ele disse, eu perguntei. – A cabeça concordou com a própria fala e ela riu.
         Hyerin se sentia da mesma forma desde que dividira o bolo do lanche com ele. Até tinha ido perguntar pra mãe dela o que era aquela coisa que ela sentia sempre que falava com Henry e sua mãe lhe explicou com um sorriso bobo nos lábios. Não disse nada sobe aquilo, apenas abraçou o garoto que arregalou os olhos e ficou com as bochechas ainda mais vermelhas, a abraçando de volta. Ficaram daquele jeito por mais alguns segundos e ao se afastar, ela beijou a bochecha de Henry que riu por causa das cócegas.
         - Eu também gosto de você. Do jeito que a minha mãe gosta do meu pai, eu sei porque eu também perguntei. – Ela sorriu e ficou com as bochechas coradas e ele riu, segurando a pequena mão da garota e se sentando perto de onde ela estava antes, puxando-a para fazer o mesmo.
- Você sabe o que é 1-4-3? – Perguntou ele e a garota meneou a cabeça em negação. Ele se afastou um pouco, tendo as mãos livres. – É uma coisa que meu irmão me ensinou. 1 é o I, porque só tem uma letra. 4 é o love, porque tem quatro letras. E o 3 é o you, porque tem três letras. Daí, se juntar os três, sabe o que dá?
- I love you. – Ela sorriu ao ver que havia entendido e ele concordou com a cabeça freneticamente, sorrindo para ela em seguida.

Fim.

Nota da autora: Como diz no primeiro capítulo, a história se passa no Canadá. Sendo assim, a explicação do pequeno Henry é em inglês.


Epílogo.
Alguns meses depois...

         Henry havia separado aquele dia para “dia do casal bochechas”. Escolheram um filme de aventura e ação (porque Hyerin se recusou ao terror e Henry não veria drama nem morto) e a sala estava toda pronta para o “cinema” dos dois. Almofadas espalhadas pelo tapete, um grande e grosso cobertor e as pipocas estavam sendo trazidas pela garota quando Peter simplesmente surgiu pela sala, estranhando o quão escuro o cômodo estava. O casal rolou os olhos.
         - Nossa, vocês sempre me recebendo com bastante carinho. – Resmungou ao se sentar em uma das cadeiras que estavam afastadas para dar mais espaço para o casal.
         - Por que será, né? – Disseram em uníssono e logo depois riram. Henry já estava sentado no tapete, com as costas apoiadas no sofá, vendo as opções do filme. Hyerin colocou o pote de pipocas ao lado dele, sentando-se próximo ao rapaz e passando os braços por sua cintura, enquanto ele puxava o cobertor para cima de ambos. Peter riu com aquilo.
         - Cara, aqui pra nós, ‘cês são melosos, hein? Pelo amor de Deus. – Fingiu que iria vomitar e recebeu uma almofada na cabeça, riu ainda mais. – Aliás, vocês são tão piegas que demoram uns três séculos pra ficar, né? Porra Henry, você não era assim lerdo. – O casal se olhou de novo e  mais uma almofada foi jogada na direção dele, que dessa vez reclamou. Nesse momento, senhora Lau adentrou a sala com alguns chocolates quentes e bombons em uma tigela. Peter se animou. – Aí tia Lau, aprovei. – Foi cegamente em direção a bandeja, mas a mais velha desviou.
          - Nem pensa, são para eles dois. Aliás, o que você está fazendo aqui, meu filho? Para de atrapalhar meu filho e a namorada dele, mas que coisa. – Peter aderiu uma expressão chocada e o casal chorava de rir com a situação, literalmente.
         - Pô, e eu que achava que a senhora gostava tanto de mim que queria que eu me mudasse pra cá. – Soltou um muxoxo e a mulher arregalou os olhos, colocando o que trouxera na mesinha de centro.
         - Deus me livre. Agora sai daqui, vai. Amanhã você volta. Hoje eles precisam de privacidade. – E foi com alguns tapas nas costas que o loiro foi retirado da casa dos Lau.
         Sabe como é, não se pode ganhar todas, né.


Fim²

Leia Também:

4 comentários

  1. Sabe quando a gente lê e imagina as histórias como filmes, séries ou HQs? Pois, First Love tem áurea de anime cara. Sério, só consigo imaginar as cenas num anime..
    tipo, quando vc diz no começo deste que Peter sempre brota onde o casal está, até imaginei os dois bochechas conversando em algum lugar mais discreto/isolado da facul.. daí Peter aparece (como se tivesse sido invocado), aí Henry: "Dooido, vc colocou um rastreador em mim? Como desgraça vc consegue encontrar a gente?!".. ao que Peter responde "Nem precisei ter esse trabalho, foi só seguir os coraçõezinhos que saem das orelhas de vcs" x]
    Quando o team Mrs Lau de helpers'n shippers apareceu comemorando a união dos dois, quase dá pra ver os confetes voando e ouvir Galvão gritando "É PEEENTAAAAAA".. e P.Jones pode usar os poderes de brotar como for, mas não consegue, claro, superar o instinto shipper da Sra Lau..rs
    Consigo até vê-la conduzindo o rapaz pra fora, daí ele olha pra trás com cara de "poxa, mas nem um bombom?", e ela dá uma de Jack Sparrow: abana as mãos e "xô"..

    Então, como toda a história, gostei sim do final ^^
    Não tem nenhum plot-twist mirabolante (como Henry ser um androide e matar Hyerin pra pegar algum órgão dela), nem um happy ending de contos de fadas, com juras de amor eterno e blablabla.. gostei pq ficou um final romântico leve, simples, com seu lado cômico, pra um romance leve, simples e com seu lado cômico. A.k.a, ornou com o enredo e o ambiente.
    Pode até soar óbvio, mas nem todo mundo consegue isso. As vezes pensam que está ficando chato e aí começam a inventar coisas que não cabem na proposta construída até então, acabando por ferrar a história toda.. mas enfim, vc entendeu..rs
    Outra coisa, os personagens. São bem legais cara, bem reais, fazem a gente se envolver com a história.. me diverti com os três amigos, Peter Jones aparecendo pra fazer folia, as mães conspirando a favor, catando fotos e preparando cenários.. a recepcionista do NCI, pobre pessoa frustrada kkk
    Enfim, tudo ficou bem legal.. vc me fez gostar de um romance cara, não tenho mais nada a dizer x]

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha esse seu comentário quase maior que a fic inteira /corre
      Nem precisei ter esse trabalho, foi só seguir os coraçõezinhos que saem das orelhas de vcs" COISAS QUE PETER DIRIA COM CERTEZA HAUAHUAH cara, não sei você, mas eu adoro Peter. Um ser que existe para atrapalhar a vida dos outros, sem dúvida, um rei, né. 8D Mas nem sempre dá pra ganhar todas, já que Sra. Lau tá aí pra provar que ela pode sim expulsá-lo da casa dela x)

      MAS OLHA SÓ SE VOCÊ NÃO FOI VENCIDA E GOSTOU DE UM ROMANCE POR MINHA CAUSA? CHUPA SOCIEDADE. Devo dizer que isso é sim um marco na minha vida, como sua amiga e escritora. HAUHAUHA coisas que eu vou jogar na sua cara PELO RESTO da vida, beijos.

      Mas enfim, não tenho mais nada a dizer. Como uma das principais fãs de First Love, você é a que mais me deu ideias e incentivo para continuar, para fazer First Love 2, enfim, muito obrigada pelo apoio e por gostar tanto da fic, miga. De verdade. Espero te ver mais por aqui quando lançar a segunda. <3

      Excluir
  2. Que lindo! É a fanfic mais bem escrita que já li e olha que já li muitas, sério mesmo, como é que eu te descobri só agora? Agora quero ler tudo o que você já escreveu :)
    Deu uma sensação de nostalgia, lembrei do meu tempo do jardim de infância, várias cenas voltaram durante a leitura, eu tive um namoradinho e chagamos até a nos casar kkkk é incrível a semelhança, voltei até a namorar com ele depois de alguns anos, mas não era pra ser. Acho tão mágico essas histórias de reencontro após anos que dão certo, você soube retratar tudo com muita maestria, meus parabéns <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, moça! Seja bem-vinda. :D
      Você não faz ideia do quanto fiquei feliz em ler o seu comentário, ainda mais com tanto elogio que me deixou sem graça! HAHA Muito obrigada, fico imensamente feliz e grata por ter conseguido retratar a história a ponto de você ter se identificado. Acredita que, apesar de ter escrito, eu nunca passei por isso? Pois é. HAHA
      Obrigada mesmo e, ó, pode ficar a vontade, lê tudinho <3

      Excluir

ATENÇÃO:

O conteúdo aqui postado é de responsabilidade de seus respectivos autores e fica proibida a reprodução de qualquer publicação sem o consentimento dos mesmos e/ou sem os devidos créditos, sendo considerado PLÁGIO.

ARQUIVO