FIRST LOVE— VI

11:38



Às vezes fico tão curioso sobre você, sobre o que você se tornou.
Às vezes penso em você, sinto tanto a sua falta.
O que estaria fazendo agora?
Primeiro amor, meu amor inesquecível,
Eu sou o único que ainda se lembra? Chamar-te-ei desesperadamente,
Até que eu possa te encontrar e te ter novamente.
Pra sempre.
Baseado em First Love –  After School.

                 


VI.

- Me diga, pelo amor de Deus, que eu não ‘tô te ligando em má hora. – Henry sequer esperou que a garota atendesse o telefone e já foi jogando um pedido desculpas, caso a estivesse atrapalhando. Havia esperado até o fim da tarde, julgando ser o horário que ela chegaria em casa depois da aula. Peter que – ainda – estava na casa do amigo, apenas rolou os olhos e voltou a dar atenção ao próprio celular.
- Oi, Henry. – A garota disse aos risos no mesmo momento que abrira a porta de casa e sua mãe sorriu largo, deixando claro que já sabia daquele reencontro. – Não, claro que não! Eu acabei de chegar da aula. – Caminhou apressadamente em direção as escadas, cumprimentando os presentes da sala apenas com um aceno de cabeça. Hyunsik não gostou nada da ideia.
- Ah, isso é um alívio. – Bingo! Ele havia deduzido certo. O notebook – que era usado para a procura da garota em redes sociais e não obteve sucesso – foi fechado e toda a sua atenção agora era de Hyerin. Peter rolou os olhos de novo e jogou um travesseiro no amigo que apenas fez uma careta. – Estava preocupado em te atrapalhar na aula.
- Não, não. Provavelmente eu estaria na aula de produção gráfica, então eu sairia rapidinho pra te atender. – Ela sorriu largo e mordeu o lábio inferior, rindo baixo. Parecia patética. Henry sorriu da mesma maneira ao ouvir aquilo e até se sentiu um pouco menos nervoso sobre aquele contato. – Mas ao que devo a honra da sua ligação? – Hyerin brincou e ele riu.
- Nada relevante. Eu apenas me esqueci de te passar o meu número, burro como sempre. – E queria ouvir a sua voz novamente também, pensou ele, mas nada disse. Hyerin riu de novo, abrindo a porta do quarto e jogando a bolsa sobre a cama. Henry suspirou e fechou os olhos, decidindo jogar tudo de uma vez. – E também eu queria saber se rola da gente almoçar junto amanhã de novo.
- Nossa. – Ela riu da rapidez em que ele dissera aquilo e Henry prendeu a respiração, receoso. Droga. – E eu aqui pensando que eu teria que fazer esse pedido, olha só. – Voltou a rir descontraída e o garoto pôde finalmente respirar. Parece que Hyerin não era tão tímida quanto antes. E ele estava adorando isso.
- No mesmo lugar e no mesmo horário, então? – Ele riu, sua frase parecia idiotamente aqueles programas de televisão.
- Por mim tudo bem. – Hyerin encarava a bolsa jogada na cama com um sorriso nos lábios o qual não era lá muito diferente do que adornava os lábios de Henry. Peter, que ainda assistia de camarote, achava aquela cena completamente patética.
- Até lá, então. – Respondeu o rapaz logo após alguns segundos de silêncio. Não queria desligar, gostava de ouvir a voz dela. Mas ao mesmo tempo não sabia o que dizer, o que era estranho. Ele sempre tinha o que dizer.
- Até. – A garota se sentia da mesma forma. Continuava caminhando pelo quarto como se quisesse que a conversa se prolongasse, mas não sabia como. Continuou na linha, mesmo em silêncio. – Henry?
- Oi? – Ambos riram. Que silêncio constrangedor, que coisa engraçada, pensavam. Hyerin suspirou.
- Nos vemos amanhã. – Se sentiu extremamente idiota por tal bobagem, só havia repetido o que falara antes. Meneou a cabeça em negativo, reprovando a si mesma.
- Que amanhã chegue logo, então. – Henry mais parecia a criança que Hyerin se lembrava. Ambos riram e finalmente desligaram, a garota segurando o celular com firmeza nas mãos, ainda sorrindo boba enquanto se virava e finalmente se sentava na cama, sorrindo largo.
- Por que esse sorrisinho bobo na cara, hein? Essa história de antigo namorado é verdade? – O rapaz alto estava encostado ao batente da porta, com os braços cruzados e cara de poucos amigos. Hyerin precisou fechar os olhos para não mata-lo pelo susto.
- AI QUE SUSTO, IDIOTA. – Levantou-se da cama, passos rápidos e pesados a levaram até ele. Droga, ele era dois anos mais novo e compensava essa diferença em tamanho.
- Ih, a baixinha ficou irritada. – Hyunsik olhou por cima dos próprios óculos e riu. – Quem é o tal namoradinho? – Hyerin rolou os olhos e o empurrou.
- Não é da sua conta. – E por fim, fechou a porta ouvindo as risadas do irmão mais novo ecoarem do corredor. Voltou a cama com cara de poucos amigos, ainda com o coração acelerado por conta do susto, deitando-se finalmente e empurrando suas coisas com os pés, encarando o teto, suspirando levemente.

*******
A aula naquele dia tinha sido estranhamente agradável. Henry chegara cedo novamente, sentara em uma das primeiras fileiras e os cálculos pareciam tão mais fáceis que engatou em uma maravilhosa discussão sobre as duas primeiras questões com o professor. Peter riu e rolou os olhos, sabia muito bem o motivo daquela boa áurea. Entretanto nada disse, deixou que o amigo curtisse seu momento de felicidade sozinho. O sinal tocou e Henry seguiu calmo e desleixado até a praça de alimentação que ele sequer frequentara antes por conta da distância de onde estudava, mas a partir de agora seria o lugar mais visitado por ele em toda a Universidade. O mesmo restaurante do dia anterior, mas a mesa escolhida pela garota já estava ocupada o que gerou uma expressão levemente irritada no rosto do estudante. Sentou-se então perto de uma das janelas, tendo toda a praça de alimentação e o jardim ao lado do bloco C visíveis e ele sorriu com isso. Um garçom veio até ele, mas Henry explicou que aguardava a garota e logo estava sozinho novamente, pegando seus bons e velhos fones de ouvido.
- Você não faz ideia do que eu encontrei em casa. – Hyerin chegava animada à mesa que Henry estava sentado, dando-lhe um pequeno susto, já que o rapaz se encontrava distraído ouvindo músicas aleatórias em seus fones.
A garota se sentou na cadeira ao lado dele e colocou o material sobre a mesa, procurando apressadamente por algo dentro da agenda. Já ele, tratou de tirar os fones e desligar a música, afinal, a atenção agora seria única e exclusivamente da estagiária que estava ainda mais bonita que no dia anterior. A blusa social azul marinho com as mangas puxadas até os cotovelos, a calça jeans lavada em contraste com a peça anterior, os cabelos amarrados em um coque alto e a franjinha realçando as bochechas... quando se deu conta já a encarava fixamente e se sentiu envergonhado por isso. Por sorte, ela ainda procurava por algo, o que gerou um bico em seus pequenos lábios por não encontrar sua surpresa.
- Ai, achei. Olha. – Uma fotografia um pouco maior que o tamanho normal foi entregue ao rapaz e seus olhos brilharam ao analisar os protagonistas do retrato. – Hoje quando acordei, meus pais estavam na sala com inúmeros álbuns e caixas de fotos, procurando por fotos nossas. – Ela riu e rolou os olhos, os adultos estavam interferindo de novo.
Era casamento da filha mais nova dos avós Oh e todos estavam na expectativa da chegada da noiva. O casalzinho da turma de Annie foram os escolhidos como os noivinhos da cerimônia, mas ao que parecia o atraso da noiva havia contagiado a versão mirim, já que Hyerin não tinha chegado ainda. O pequeno Henry estava uma graça com todo o conjunto social, terno e gravata borboleta, os cabelos arrumados e muito bem penteados, suas mãozinhas inquietas, uma sobre a outra, demonstrando a impaciência pela falta da garota.
- Mamãe, por que a Hyerin tá demorando tanto? -  O pequeno bico nos lábios do garoto era enorme, de partir o coração. Senhora Lau arrumou seus cabelos e ajeitou a gravata que o garoto usava.
- Ela vem com a noiva, Henry. Noivas demoram. – Ela sorriu a fim de acalmá-lo e ele suspirou.
- A senhora disse que é feio chegar tarde nas coisas. – Concordou com a cabeça, sua mãe riu. Senhora Lau se apressava para lhes explicar o porquê noivas deveriam demorar, quando o carro da família Oh chegou no local.
As pessoas que aguardavam na entrada da igreja se viraram para ver a saída da bela noiva e a pequena Hyerin saía as pressas do veículo, recebendo broncas da sua mãe por tal atitude. Ao chegar próximo à igreja, a pequena parou e respirou fundo, arrumando a franjinha e segurando o buquê nas mãos com força, caminhando com um bico chateado nos lábios na direção do seu “noivo”. Já Henry, estava estático. Os olhos arregalados com a beleza da garota naquele vestido rendado e rodado tão branquinho.
- Oi, Henry! Desculpa eu ter chegado agora. Minha tia estava toda cheia dessas coisas de adulto. – Suspirou e sorriu tímida ao notar toda a atenção dos adultos sobre ela. Com “coisas de adulto” queria dizer ao alvoroço da arrumação da noiva, era tudo um tédio para Hyerin que só queria encontrar o garoto. Henry continuou parado, com os finos olhos fixos nela. – Henry?
- Oi, oi. – Disse rindo, sentindo seu coração bater mais forte. A mão direita tocou seu peito, estava ardendo e ele nem sabia o porquê. Hyerin pendeu a cabeça para o lado.
- O que foi? – Não entendeu o motivo daquela cara de lerdo que ele havia feito.
- Eu não sei. – Deu de ombros. – Você tá parecendo aquela princesa do filme que a Tia Annie mostrou, só que ‘tá mais bonita que ela. E agora eu ‘tô esquisito – Ele fez uma careta e ela riu.
- Como assim? – Semicerrou os olhos enquanto o encarava.
- Lembra quando a gente ‘tava brincando de pega-pega na escola? Daí fica cansado e fica com o coração doendo? – Ela concordou com a cabeça. Henry levou mão foi ao peito e o apertou a roupa usada. – Então. Parece que eu ‘tava correndo, mas eu nem brinquei hoje.
Ela estava pronta pra explicar que tinha ouvido sua mãe dizer que isso acontecia quando as pessoas estavam perto das outras que elas gostavam, mas seu pai apareceu informando que era hora dos noivinhos entrarem. A mãe de Henry os arrumou, ajeitando a franjinha da garota e mais uma vez a gravata do pequeno e logo eles estavam de mãos dadas, adentrando a igreja totalmente arrumada, recebendo olhares afetuosos de boa parte – ou toda – dos presentes.

- Cara, tem alguma foto que eu não esteja olhando pra você? – Ele riu encarando sua versão mirim com um largo sorriso no rosto e olhos fixos na pequena ao seu lado. Estavam juntos, de mãos dadas ao lado dos verdadeiros noivos. 
 - Todas que eu achei ou você está olhando pra mim, ou eu pra você. – Ela riu, colocando a mão no rosto, escondendo seu riso. Henry não entendeu o motivo, ela tinha um sorriso bonito. – Minha mãe disse que a igreja inteira ficou babando porque você entrou olhando pra mim.
- Eu me lembro desse dia. Você demorou a chegar e minha mãe ficou rindo do meu desespero. – Para Senhora Lau era realmente muito engraçado o fato do pequeno ‘noivo’ estar tão ansioso quanto o verdadeiro. Henry se lembrava claramente daquele dia e do momento em que se viu nervoso pela primeira vez por causa de uma garota, que era a mesma que estava agora ao seu lado. O arder do peito ao vê-la ainda era o mesmo, não saber o que deveria dizer e todas essas coisas de bobo apaixonado. Não, Henry. Você não está apaixonado assim tão rápido, pff.
O rapaz suspirou e apoiou o cotovelo na mesa, ainda tendo os olhos fixos na fotografia. Hyerin que estava ao seu lado fez o mesmo, ambos relativamente próximos, mas sem se darem conta disso.
- Cara, é óbvio que eu seria apaixonado por você, olha esse sorriso. – Usou da mão livre para apontar a foto, ambos riram e se olharam. A proximidade sequer foi percebida. Os olhos da garota passaram a analisar o sorriso de Henry, no canto de seus lábios. Já ele, encarava o sorriso dela que parecia exatamente igual ao da foto, não havia mudado nada. Não notaram que estavam tão próximos e sequer perceberam que ainda se encontravam no restaurante, estavam absortos demais em suas analises e pensamentos para notarem coisas tão... banais.
- E aí cara, que foto é essa? – Peter surgiu sabe-se lá de onde, retirando o papel de textura mais grossa das mãos do amigo e assustando o casal. Henry quis mata-lo e até ensaiou a cena em sua mente. Hyerin estava com vergonha e nem tinha como esconder as bochechas vermelhas no cabelo. Justamente naquele dia resolvera ir de coque.
- De onde você saiu, criatura? E ‘boa tarde’ ainda se usa. – A irritação era notável em sua voz. A garota retirou o celular do bolso e fingiu responder uma mensagem. Peter riu da raiva de um e da vergonha da outra.
- Eu estava na sua casa quando você ligou pra ela ontem, ué. – Deu de ombros e jogou a mochila na cadeira livre, se sentando relaxadamente na outra. – Aí Hyerin, gostei do cabelo. Realçou suas bochechas. – Ele piscou e a garota rolou os olhos, rindo logo depois. Peter sendo inconveniente era apenas Peter sendo ele mesmo. Henry suspirou e se voltou para ela, murmurando um ‘desculpe’ e recebendo o sorriso largo de Hyerin como resposta e um menear de cabeça, como se dissesse que não havia problema.
- Já que é assim, você paga a conta. – Arqueou a sobrancelha ao receber o olhar indignado do amigo e a risada alta de Hyerin tomou conta da mesa. Peter suspirou pesado.

Tinha sido uma péssima ideia ir atrapalhar o almoço dos pombinhos.
(Continua...)

Leia Também:

4 comentários

  1. Ah, adoro as lembranças. <3
    O Peter é tão fofo sendo inconveniente!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As inconveniências do Peter são ótimas, né? Mas só pra gente que assiste, mesmo, porque imagina a cara dos bochechas sendo atrapalhados por ele x) HUAHAUH

      Excluir
  2. No começo deste, imaginei Henry ouvindo o telefone chamar e o coração dele parar no intervalo entre os toques, tipo, "Será q ela vai atender agora? será q ela viu q sou eu? será que ela tá na aula, viu q sou eu atrapalhando e não vai atender? será que.." .. bem neurótico mesmo, e Peter lá constatando que o amigo é um caso perdido x]
    Entrar em debate com professor pq estava num bom estado de espírito, quem nunca? .. bom, não tenho certeza se é tão comum, mas eu já fiz isso..rs
    E que coisa fofa eles no casamento (vai pra a lista de desenhos, só avisando). Cara, achei uma gracinha ele tentando descrever o que tava sentido, bem coisa de guri mesmo kkk

    Brotar no meio do casal de amigos num momento de flashback cheio das fofices, esse é Peter Jones, ladies and gentlemen.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas eu bem entendo o Henry sobre ser inconveniente, porque se colocar do lugar do moço, todo nervoso, constatando que foi lerdo e não passou o número pra ela HUAHAUHUH tadinho. E Peter bem que se diverte observando a paixão do amigo HAUHAUHA
      Eu nunca fiz isso porque minha timidez nunca me deixou abrir a boca em público, independente do estado de espírito ou não HUHUHAUHAUH
      MENINA EU ACHEI UMA FOTO DE DOIS KIDS DE NOIVINHOS DE CASAMENTO e eu achei a cara deles dois, socorro? Posso até te mandar se você quiser HAUAHUHA

      Peter é uma pessoa que _nasceu_ para ser inconveniente, fazer o quê

      Excluir

ATENÇÃO:

O conteúdo aqui postado é de responsabilidade de seus respectivos autores e fica proibida a reprodução de qualquer publicação sem o consentimento dos mesmos e/ou sem os devidos créditos, sendo considerado PLÁGIO.

ARQUIVO