FIRST LOVE— V

13:42



Às vezes fico tão curioso sobre você, sobre o que você se tornou.
Às vezes penso em você, sinto tanto a sua falta.
O que estaria fazendo agora?
Primeiro amor, meu amor inesquecível,
Eu sou o único que ainda se lembra? Chamar-te-ei desesperadamente,
Até que eu possa te encontrar e te ter novamente.
Pra sempre.
Baseado em First Love –  After School.


 

V.
         Os olhos de Henry estavam arregalados, como poderia ter se passado naquilo? Hyerin sorria de orelha a orelha de forma bastante divertida e até curiosa, uma pontinha de esperança em seu coração para que ele dissesse que estava lá por causa dela. Bastou ouvir o nome “projeto” para perceber que tudo não se passava de uma farsa. Decidiu seguir à diante para saber até onde o rapaz iria, talvez, se não soubesse que se tratava de Henry Lau, esperaria até marcarem de tirar as fotos para saber o que ele diria. Mas, levando em consideração o quão animados já conversavam, ela decidiu arriscar.
         - Definitivamente, eu sou muito burro. – Deu um tapa na própria testa e ela riu.
         - Não pense assim, você conseguiu inventar algo com certo sentido em pouco tempo. Se eu não fosse estagiária, teria caído. – Concordou com a cabeça, voltando a rir. Ele só acompanhou porque gostou de vê-la rir.
         - Vem cá, você participa do Drama Club? Deveria, hein. Me enganou direitinho com aquele papo de mimimi podemos fazer as fotos quando estiver pronto e eu ainda caí, como sou otário. – Rolou os olhos e só então se deu conta que ela já imaginava quais eram suas intenções e mesmo assim lhes deu o número de telefone. Não era profissionalismo coisa nenhuma. – Sem contar o discurso com o Peter, né?
         - É, eu atuei bem mesmo. – O cabelo foi ajeitado em um jeito esnobe, rindo em seguida. Mas só levei a diante porque te achei uma graça, pensou ela. Mas preferiu deixar em pensamento mesmo. – E então?
         - E então o quê? – A expressão era de falso esquecimento, ela rolou os olhos.
         - Por que foi no NCI me procurar hoje? – Voltou a apoiar os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos, encarando-o fixamente. Até semicerrou os olhos numa tentativa de intimidá-lo, o que só o fez rir e suspirar.
         - Certo, só não vale rir. – Pegou a mochila que até então estava jogada em uma das cadeiras vazias e retirou uma folha de dentro do caderno. Era o desenho que sua mãe havia guardado. Hyerin ajeitou-se na cadeira, demonstrando interesse. – Há alguns dias, minha mãe estava revirando o porão e encontrou isso. – O papel foi estendido pra ela que encarou surpresa. Henry não diria que tudo ocorreu no dia anterior e que praticamente correu contra o tempo para encontra-la. Dessa vez, era uma mentira um tanto válida. – Eu tive um tipo de flashback estranho e me lembrei de quando desenhei isso... pra você.
 Os olhos da garota brilhavam ao encarar o papel e sua versão desenhada com enormes bochechas. Segurou o desenho com cuidado e o tempo parecia ter parado naquele momento.

- Tia Annie, Tia Annie! Eu já terminei meu desenho. – Henry gritava em meio ao curto silêncio que a sala se encontrava por conta da concentração dos pequenos em seus respectivos desenhos.
- Olha só, deixe-me ver! – A mulher dizia em tom ameno, sorrindo leve ao encarar o papel. – Que lindo Henry, algo me diz que esses dois estudam nessa sala. – Ela riu e apontou o desenho. O garoto adotou uma expressão extremamente fofa e envergonhada. Hyerin que estava um pouco distante parou o seu desenho de flores e corações para ouvir a conversa.
- Sim Tia Annie, esse sou eu. – Apontou o garotinho de boné. Mordeu o próprio lábio inferior e hesitou um pouco em continuar. – E essa é a Hyerin, olha. Ela tem bochechas grandes que nem eu. – A garota ergueu os olhos ao ouvir seu nome e sorriu tímida.
- Olha Hyerin, ele te chamou de bochechuda. – Peter se levantou erguendo a mãozinha para apontar o outro. – E você nem disse nada. Por que quando eu te chamei de bochechuda você contou pra Tia Annie, hein? – O garoto formou um bico nos lábios, a professora precisou conter o riso.
- Porque ela gosta mais de mim, seu feio. – Henry mostrou a língua e a professora o repreendeu. O garotinho deu de ombros e seguiu rumo à garota. – Toma, eu fiz pra você! – Estendeu o papel e sorriu tímido.
- Mas tem que levar pra casa e mostrar pra nossas mães, Henry. – Formou um bico triste, afinal, ela mesma queria levar pra casa e mostrar pra sua mãe o presente do seu namorado. Henry soltou um muxoxo.
- Você num gostou, né? Num queria te chamar de bochechuda, ó. É porque eu gosto de suas bochechas, por isso eu fiz elas assim grandonas. As minhas também são grandes. – Concordou com a cabeça, tentando se explicar. Sua intenção não era magoá-la. Tia Annie observava aquela cena com os braços cruzados, morrendo de amores com tamanha fofura.
- Nããão, eu gostei sim! – Foi rápida em responder. – É porque você tem que mostrar pra sua mãe que agora você tem uma namorada. – O sorriso era tímido e as bochechas aderiram ao tom vermelho, Henry riu.
- Suas bochechas tão rosa. – Riu novamente e segurou o desenho firmemente. – Eu gosto quando suas bochechas ficam rosa, é porque você gostou do que eu disse, né? – Se virou para a professora. – Tia Annie, quando os meninos dizem alguma coisa pras meninas bonitas e elas ficam com as bochechas rosa, não é porque elas gostaram?
- Sim Henry, é isso mesmo! Elas ficam tímidas, é esse o nome. –Definitivamente, Annie nunca teria um aluno tão fofo como aquele garoto, jamais se esqueceria dele.
- Tá vendo? Por isso eu vou levar o desenho pra mostrar pra minha mãe! Mas depois eu pego de volta pra te dar, tá?
- Tá. – Ela sorriu e se aproximou dele, beijando sua bochecha. Logo depois riu, voltando a pintar suas flores de cor lilás, a qual tanto gostava.

- Você demorou pra me devolver o desenho. – Disse ela, ainda tendo os olhos fixos no papel em mãos. Henry sorriu, sabia exatamente do que ela estava falando.
- Antes tarde do que nunca. – Sorriu e a garota ergueu os olhos, recebendo uma piscadela dele, fazendo-a rir.
- Como você e Peter se tornaram amigos? Vocês se detestavam no jardim. – Realmente achou graça naquela ironia. Viviam como cão e gato por conta da garota, Peter amava irritá-la, Henry preferia protege-la. E assim foram pelos oitos meses em que a garota esteve com eles.
- Com o tempo a gente acostuma com as coisas ruins ao nosso redor. – Deu de ombros e ela riu novamente. – Se bem que depois que eu contei pra ele sobre isso – Não sabia exatamente como se referir a toda situação. – Ele se lembrou das vezes que chutei o joelho dele, disse que vai ter volta.
- Dessa vez não tem Tia Annie pra dedurar, né. – Brincou aos risos.
- Mas tem os trabalhos em dupla que eu faço sozinho e coloco o nome dele. – E mais alguns risos tomaram conta daquela conversa.
- Mas vem cá... – Voltou a encarar o desenho. – Você já sabia que eu estudava aqui? – Não podia deixar de perguntar. Na sua cabeça não fazia tanto sentido ele ter conhecimento dela lá, mas nunca ter procurado. Mas ainda assim era uma dúvida. Henry negou com a cabeça.
- Não fazia a mínima ideia de onde você estava. Na verdade, eu não lembrava de você até achar o desenho. – Deu de ombros. – É meio estranho, na verdade. Segundo Peter eu era obcecado por você, não entendo porque esqueci desse jeito.
- Então como você me achou? – Pendeu a cabeça, em uma clara expressão de curiosidade e ainda mais interesse no assunto. Henry desviou o olhar, por que ela estava perguntando tudo isso?
- Fiquei uns dias considerando procurar por você, sei lá, só saber como você estava... – Com uns dias ele queria dizer pouquíssimas horas. – Minha mãe disse que sua mãe e Annie eram amigas, então eu liguei pra ela. – Sorriu tímido e Hyerin arregalou os olhos, surpresa de novo. – Disse que você estudava Fotografia aqui em Crawford.
- Mas ainda assim é uma informação muito vaga, Crawford é enorme. – A surpresa ainda era clara em seu tom de voz. Henry não entendia porque de uma hora outra todo mundo resolveu se esquecer do óbvio.
- Sistema Online de Aprendizagem. – Deu de ombros novamente, dessa vez erguendo as mãos numa clara demonstração do óbvio. Hyerin parou e continuou daquela maneira, estática pela segunda vez naquele por conta de Henry. Já ele, apenas se sentia extremamente vitorioso pela forma que ela reagia a tudo que dizia.
- Mas meu Deus... – As mãos foram ao rosto. – Eu nem sei o que dizer.
- Acho que um “Não acredito que fez isso tudo por mim, Henry! Como você é fofo.” Está de bom tamanho. – Sorriu maroto e ela rolou os olhos rindo, e então o sinal para o início das aulas tarde ecoou por toda a faculdade.
- Ah, eu preciso ir, tenho aula de edição agora! – Mesmo que quisesse ficar, aquela aula não era a do tipo que se podia faltar muitas vezes. Suspirou pegou as suas coisas, já se levantando.
- Tudo bem, nós nos vemos depois. – Esperava de coração que conseguisse vê-la outra vez. Julgou ser cedo demais pra ela sair, mas não a obrigaria a perder aula, ele já havia feito isso.
- Vou esperar sua ligação pra marcar o dia das fotos. – Piscou e simplesmente foi embora, caminhando rapidamente em direção ao bloco em que estavam antes. Henry demorou alguns segundos pra entender do que ela falava e só quando finalmente entendeu, sorriu largo.
Talvez seu protótipo ficasse pronto antes do tempo.

*****

         - E aí cara, como foi a aula sem mim? – Perguntava Henry ao encontrar com o amigo em uma das saídas da Universidade, havia combinado de irem para casa juntos, afinal, não havia projeto nenhum, mas atividades de cálculo sim, e muitas.
         - A mesma coisa complicada de sempre. A única diferença foi que eu precisei usar minhas próprias canetas. – Deu de ombros, era comum que nunca usasse nada seu e abusasse da boa vontade e dedicação nos estudos do amigo, Henry riu. -  O professor entregou as notas.
- Inútil. – Rolou os olhos e foi como se uma lâmpada se acendesse ao ouvir a última frase do amigo. – Ih, esqueci completamente! Quanto eu tirei? Deu pra ver na lista?
- É o que dá ficar procurando seus antigos amores aí. – Riu, mas ao receber um olhar furioso de Henry, voltou ao assunto. –  Relaxa, cara. Tu sempre tira nota alta e fica nesse drama escroto aí. – Deu de ombros. –  Foi oito e uns quebrados. Eu fiquei com oito só.
- Porque colou de mim. – Sorriu mais aliviado ao saber que não tinha se dado tão mal quanto pensou.
- Mas é claro. – Sorriu maroto. O apelido “carinhoso” que Henry lhe dera era totalmente inapropriado, Peter sempre foi desleixado, nunca que seria um nerd. – Aliás, nem sei por que ‘cê me chama de nerd, cara. Sempre colei de você.
- Você só é nerd porque joga WoW, de resto é um completo inútil. Por isso é nerd inútil e não só nerd. – Deu de ombros e riu ao ver a expressão do outro.
- Obrigado aí pela parte que me toca.

Não demorou para que chegassem à casa de Henry, o ônibus que pegaram estava praticamente vazio e o trânsito bastante tranquilo. Mal adentraram a residência e Peter já se jogou no sofá da sala, recebendo broncas do amigo e uma almofada na cabeça. Senhora Lau ouviu a movimentação e correu esperançosa até a sala, crente que veria a garota que tanto queria ali com eles, mas eram apenas os dois garotos. Soltou um muxuxo. Os rapazes estranharam.
- Ué mãe, que foi? – O olhar do garoto era preocupado.
- Fiquei feliz quando ouvi sua voz, pensei que a Hyerin estaria com você, mas é só o Peter. – O bico nos lábios da mais velha era grande e seu filho riu alto da cara de espanto que o amigo fez.
- O amor de vocês por mim hoje tá sendo bem demonstrado, hein? – Henry voltou a rir e Senhora Lau tentava se explicar sobre sua fala.

(Continua...)

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4 comentários

  1. Peter, casa comigo, seu lindo. <3
    Estou muito ansiosa pelo próximo encontro dos dois!

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    1. Olha a biased de Peter Jones marcando presença HAUHAUHA vou colocar seu nome na lista de pretendentes do Peter, miga. <3 zoa

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  2. Oh ele outra vez, Henry the Kid, a carinha da fofura. Sério, ainda vou desenhar esses dois.. ou ele e a mãe.. ou ele e Peter.. ou todos eles x]
    O encontro deles ficou legal, o romance ainda tímido e tals.. mas com as intenções rondando.. sim, mesmo q não soubéssemos, dá pra sentir o cheirinho das intenções..
    Já devo ter falado antes, mas só reiterando, pra mim esse romance está bem equilibrado (sem exagero nem superficialidades), e sem uma friendzone pra ser indevidamente vencida.. pq cara, tem aquelas histórias *cof cof* Susana e Caspian *cof cof* que ficam espremendo a friendzone pra ver se sai um romance.. e não cara, não.
    Admito que eu (lerda) ainda estava me perguntando o pq do "nerd", mas agr faz sentido.. e tadinho do Peter, sendo amado por todos kkk
    A recepção da Sra Lau me lembrou Emily falando: "Quem? Tá, né ninguém não" xD

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    1. Olha só, a senhora já desenhou todos eles, exceto henry kid e sua mãe HUAHUAHUAH
      Óbvio que existem intenções ou, ao menos, expectativas. Mesmo que fique aquele negócio "ah, mas a gente tá só se re-conhecendo" mas todos sabemos quais as verdadeiras intenções de cada um HAUHAUHA
      Nossa, já tinha comentado com você, MAS GRAÇAS A DEUS que eu consegui passar isso, a ideia de romance MESMO, porque quando o casal n tem química e fica aquela friendzone forçada, nossa, não, para........
      Sra. Lau zoando o Peter é a melhor coisa, diz aí HUAHAUHAUH alguém tem que ensinar esse jovem a se comportar x)

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