FIRST LOVE— III

16:21




Às vezes fico tão curioso sobre você, sobre o que você se tornou.
Às vezes penso em você, sinto tanto a sua falta.
O que estaria fazendo agora?
Primeiro amor, meu amor inesquecível,
Eu sou o único que ainda se lembra? Chamar-te-ei desesperadamente,
Até que eu possa te encontrar e te ter novamente.
Pra sempre.
Baseado em First Love –  After School.

                 
III.
- Que cara de retardado é essa, mano? – Peter perguntava sobre o sorriso que estava presente nos lábios de Henry ao adentrar a sala e encontrar o colega muito bem acordado para uma aula tão cedo. E só então notou suas roupas. – Ih, já achou a guria lá?
         - Não totalmente. – Riu e Peter semicerrou os olhos demonstrando confusão.
         - Ainda ‘tô dormindo, então explica. – Bocejou forçadamente para ressaltar seu sono e levou um tapa na cabeça.
         - Ela estuda aqui. – O tom era calmo, mas estava ansioso. Muito ansioso. Peter o olhou com uma expressão incrédula.
         - Crawford é maior que muitas cidades do interior. O que você vai fazer? Sair colando cartazes pelos blocos? – Era uma ideia totalmente absurda e Peter esperava de coração que seu amigo não a acatasse. Mas ao contrário disso, Henry suspirou pesado.
         - Sistema Online de Aprendizagem lhe diz alguma coisa?! Otário! – Bateu na testa do outro. Crawford University tinha, como o próprio nome já dizia, um sistema online onde todos os alunos possuíam uma conta para que acessassem suas notas, faltas, avisos e arquivos de todas as matérias e professores. E, além disso, havia a possibilidade de encontrar qualquer aluno que fosse e seus determinados cursos e estágios, caso tivessem.
         - Ih cara, é mesmo. Vai achar a namoradinha do jardim! – Zombou o loiro e Henry o empurrou da cadeira, fazendo-o rir ainda mais. – Quando você vai atrás dela? Eu preciso ir junto.
         - Claro que não. – Rolou os olhos. Peter não iria atrapalhar aquele reencontro, não mesmo. E antes que o próprio loiro reclamasse daquilo, o professor já estava na sala, mandando seus alunos se organizarem em grupos.
         A aula se seguiu maravilhosamente entediante e Henry aproveitou do descuido de seus colegas para pegar o computador na mochila e colocar o resto do plano em ação. Sim, deveria ter feito isso assim que chegou à sala, mas perdeu tempo conversando com outros colegas e logo Peter chegou com suas perguntas desnecessárias. Os segundos de atualização do aparelho pareciam eternos e quando finalmente pôde abrir o navegador, respirou aliviado. Peter notou o que ele fazia, mas preferiu guardar sua zoação para mais tarde, quando encontrasse a garota, SE encontrasse com ela. O Sistema de Crawford foi aberto e o clique no “buscar” foi tão rápido que nem mesmo Henry viu. O nome completo da garota foi digitado e uma única estudante foi encontrada fazendo os olhos do garoto brilharam ao encarar a foto 3x4 e reconhecer aquele par de bochechas.
         Hyerin além de estudar quinto período de fotografia, trabalhava como estagiária no Núcleo de Comunicação e Imagem, fornecendo fotos para o jornal semanal da Universidade. Suas aulas eram no bloco C e D no horário da tarde e trabalhando no NCI pela manhã, a qual ficava no térreo do bloco C. Talvez se desse mais importância as notícias da cidade e do mundo, ele teria encontrando a garota mais cedo. Por sorte, a próxima aula era de uma matéria insuportavelmente chata a qual ele não tinha faltas. Mataria para ir até as redações do Núcleo e tentar encontra-la, só precisaria de uma desculpa esfarrapada para estar acidentalmente lá.
         O sinal para o fim da primeira aula mal terminou de tocar e Henry já estava levantando e guardando seu computador mesmo que ainda estivesse ligado. Quem se importa com a bateria do notebook?  Peter o seguiu com os olhos e tinha total certeza que toda aquela pressa não era para a aula de cálculo. As escadas não eram tanto problema quanto deveriam, os degraus eram facilmente reduzidos ao descer de dois em dois ou até mesmo três em três. Segundo o Sistema da faculdade, o turno do estágio dela encerraria em uma hora e ele estava no bloco L, e todos sabem o quão distante a letra “C” e a “L” são no alfabeto, imagina se tratando de blocos. Ao chegar ao térreo se deparou com o amigo parado encarando o relógio de pulso, provavelmente esperando por ele. Mas... Peter estava na sala. O que ele fazia ali?
         - Deveria ser menos ansioso e ter pegado o elevador. – Disse o loiro completamente maroto, recebendo um olha furioso e um suspiro como resposta. – E aí, onde vamos encontrar a donzela?
         - Você eu não sei, mas eu ‘tô indo ao bloco C. – O tom era irritado, mas a brincadeira não era o único motivo. Por que se esqueceu do elevador? E eles estudavam no quinto andar. Peter ignorou e o seguiu.
         - Ih, ela é de humanas? – Um pequeno soco foi deixado no ombro do amigo. – Olha aí, deixe-me ver... Publicidade? Não, ela era fofa demais pra esse povo egocêntrico. Talvez jornalismo, mas ela era tímida. – A mão estava no queixo, demonstrando o quanto se esforçava. Henry bufou. – Poderia ser...
         - Fotografia. – Respondeu sem muito ânimo, Peter estalou os dedos.
         - CLARO! A cara dela ser aquelas fotógrafas fofinhas que ficam tirando foto de praça e coisas sem sentido. – Ele sorriu e Henry rolou os olhos.
         - Você fala como se a conhecesse há séculos. – Ele deveria fazer essas observações, não o amigo.
         - E você quer falar de quê, ô namoradinho do jardim?
         - Quer calar a boca e me ajudar a encontrar o bloco C? – Coçou a nuca e bagunçou os cabelos, suspirando. – Eu ‘tô nervoso.
         - É notável. – Peter riu e deu alguns tapas nas costas do amigo. – Vai com calma, cara. Lembre-se que ela pode ter namorado.
         - Ou ser lésbica. – Disse em um muxoxo e Peter riu alto. Muito alto.
         - Anda, o bloco de Comunicação e Imagem é aquele lá na casa do caralho. – Apontou para um prédio branco com detalhes em azul. Era longe mesmo, muito longe. Mas ao menos eles tinham uma hora pra isso.
        
         Caminharam não tão tranquilamente até o lugar desejado, Henry fazendo uma reclamação ou outra no meio do caminho e diferente do que ele pensava, Peter não tirou tanto sarro assim. Ao contrário, tentava fazer do amigo mais confiante, mesmo sabendo das inúmeras possibilidades ruins que poderiam acontecer. E mesmo depois de algumas reclamações sobre distância, o calor fazendo-os suarem – e Peter dizer que Henry já fedia, o que o fez empurrá-lo – estavam finalmente na entrada do grande e bonito prédio branco. Ambos suspiraram, Henry parecia ainda mais nervoso o que só fazia seu amigo se divertir ainda mais. Apesar das lembranças que envolviam Hyerin serem poucas, era como se ansiasse vê-la desde o dia que a garota partiu. Sequer lembrava da existência dela até aquele desenho vir à tona, mas a vontade de (re)conhecê-la era tão forte, ele nem mesmo sabia explicar. Talvez sua mãe estivesse certa, afinal. Nada do que ele sentia havia sumido, só... adormecido.
          - Sabe onde achá-la pelo menos? – Perguntou Peter com as mãos nos bolsos, correndo os olhos por toda a extensão visível do bloco.
         - Núcleo de Comunicação e Imagem. – Respondeu com os olhos fixos nas grandes e chamativas letras ‘NCI’ no lado direito deles. Peter sorriu e deu dois tapinhas nas costas do amigo.
         - Respira fundo, arruma esse cabelo horroroso, tira esse suor da testa, abre um sorriso e vai lá. – Era a forma de Peter encorajá-lo. Henry suspirou e arrumou a postura, fazendo realmente o que o loiro havia dito, tirando risos do outro.
         - Você não ia comigo, nerd infeliz? – Apesar da frase nada amável, o tom de voz era fraco, quase infantil. Mesmo depois de todo o discurso de que Peter não atrapalharia seu momento, estava receoso de ir sozinho.
         - Tu tem vinte e um anos cara, não cinco. Anda, porra. – E aos risos, empurrou o amigo, obrigando-o a começar a andar.
         Não estava trêmulo, nem mesmo pálido. Sequer suava, mesmo que tivesse andado no sol pouco tempo antes. A língua umedeceu os lábios numa clara demonstração de nervosismo. Visualmente, tudo estava sobre controle. O cabelo arrumado, o suor não manchou sua camisa e ele agradeceu aos céus por isso. Entretanto sua curiosidade se transformava em batimentos acelerados e pensamentos desorganizados. As perguntas de outrora voltavam a rondar sua mente: Como ela estaria? Se lembraria dele? Seria tão doce quanto antes? Quais seriam seus gostos? O que deveria dizer primeiro? Mais um suspiro e só então se deu conta que já estava na recepção.
         - Bom dia! Seja bem-vindo ao Núcleo de Comunicação e Imagem de Crawford University! – Sorriu a garota de cabelos vermelhos amarrados lateralmente e olhos esverdeados. – Poderia me dizer o seu curso? Assim poderei lhes dizer onde ir.
         - Ér... Oi! – Coçou a nuca, não poderia mentir. – Engenharia Aeronáutica. – Agora o encarou confusa. Droga, e agora? Pensou ele.
         - Do que precisa de nós da área de humanas, astronauta? – Sorriu ela, mesmo que os olhos ainda demonstrassem confusão. Ela era bonita e se Peter estivesse ali, diria que estava flertando.
         - Bom, eu preciso de um fotógrafo para... – Ótimo, agora precisava de uma desculpa convincente ou ela riria de sua estupidez. Seus olhos não encaravam a ruiva. – Um trabalho sobre os projetos de novos foguetes e... – Pegou um papel aleatório do bolso, o qual era um comprovante da biblioteca, fingindo ler algo. – Indicaram uma garota, Hyerin Oh. Sabe onde posso encontra-la?
          Mordeu o próprio inferior receoso de que sua explicação tivesse sido um desastre e quando a ruiva fechou a cara, ele teve plena certeza disso. O que Henry não sabia era que a garota estava realmente flertando com ele, mas era apenas estudante de publicidade e ainda era caloura, logo não poderia ajuda-lo. Henry suspirou pronto para dizer a verdade, por mais estupida que ela fosse, mas a garota virou-se para a tela do computador e passou a digitar algo.
          - Sala 14, logo aqui no térreo mesmo. – Um cartão foi entregue à ele. – Precisa disso para passar. – Disse seca, sem nenhum resquício da simpatia de antes. Henry logo entendeu o que acabara de acontecer e riu.
         - Obrigado. – Não pôde perder a oportunidade de piscar maroto para ela, fazendo-a sorrir. Não tinha a mínima ideia do que resultaria o encontro com Hyerin, logo, ele não deixaria aquilo passar.
         Respirou fundo e adentrou ao grande espaço onde pessoas iam e viam com suas câmeras enormes em suas mãos, enquanto outras passavam com microfones, filmadoras e cabos. Um homem alto e mal encarado pediu sua identificação e sem demora Henry o entregou, sendo liberado em seguida. Era um universo totalmente diferente do que estava acostumado e por isso demorou certo tempo para assimilar tudo e continuar seu caminho. A sala antes indicada finalmente tomou conta do seu campo de visão e passos rápidos o levaram até lá. As mãos se fechavam freneticamente e o inferior foi mordido mais uma vez. Uma vontade de rir inexplicável tomou conta dele e precisou se segurar para não parecer um louco. Agora eu tô todo bobo? Fala sério, pensava. Antes de abrir a porta um rapaz bem mais magro que ele vinha em sua direção com duas grandes caixas que pareciam ser mais pesadas que o próprio que as segurava. Henry lhe ofereceu ajuda que foi aceita de bom grado e logo ambos adentraram a mesma sala e o garoto pôde coloca-las sobre uma das grandes mesas. Estava agora na redação do jornal da Universidade.
         - Aí cara, obrigado. – O rapaz estendeu a mão. – Eu não sou lá muito forte e isso dá pra notar de longe. – Riu baixo, ajeitando os óculos com a mão livre.
         - Ah, nada. – Apertou a mão alheia e o acompanhou em risos fracos. Os olhos percorreram a sala não só maravilhado com o via, mas também procurando pela garota. – Aí, pode me dizer onde encontro Hyerin Oh? – Aproveitou da situação para pedir ajuda, só assim não precisaria sair perguntando a algum daqueles que estavam ocupados.

         - Alguém procurando por mim? – Uma voz doce e aveludada ecoou próximo de ambos e Henry engoliu em seco. O rapaz apenas sorriu e seguiu seu caminho para as caixas que trazia e a garota permanecia ali, segurando seus papéis em mãos enquanto aguardava saber quem era a pessoa que dissera seu nome.

(Continua...) 

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4 comentários

  1. Estava eu aqui, lendo e imaginando (redundância rules /o/) que "First Love" daria um anime bem legal.. hm.. sim, os flashbacks, as cenas de Henry e Peter, enfim, sempre os imagino como se fosse um anime. E ia ficar bom mesmo.. ideias, ideias..
    Anyway (-you waant/ and that's the way you neeed it/anyway you waaant/tan nan nan nan nan).. não resisti.
    E sempre que leio me divirto com o "Ih, ela é de humanas?" kkk
    Aliás, sempre me divirto com os dois juntos.. Henry e Peter me lembram Scotty e Vera x]
    Gostei tbm da parte que ele vai pedir informações, procurando a menina e tals, daí lê o cartão da biblioteca fingindo ser algum lembrete.. quem nunca :P
    E finalmente a bochechuda do jardim vai aparecer. Quero ver a reação deles no reencontro, e de Peter também.

    Mais uma coisa, sua escrita evolui rápido. Por isso, boto maior fé quando vc for concretizar Lemony. Se a intro já está daquele jeito, o enredo (q já está teoricamente bem legal) vai ficar bem feito sim. Sério cara, bote um pouco de fé vc também :D


    Neext o/
    ... chapter loading.. system waiting..

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    1. Apesar de eu não assistir muito anime, mas dava mesmo. E uma sitcom pra lá de fofa, também. HUAHUAHUAH acho que é por isso que eu acabo criando tantas cenas ao redor de First Love (vide spinoffs e First Love 2) porque o enredo e o relacionamento dos dois permite que diversas outras coisas apareçam. Af, esses meus filhos <3
      Peter todo preconceituoso com as pessoas de humanas, vide rixa existente inclusive na literatura, afinal, a arte imita a vida HAUHAUHA SIM, MENINA, NUM LEMBRA? Henry e Peter é tipo Ted e Barney, também. HAUHUAH inclusive o código dos bro e tudo, claro.
      Amiga, 2017 e Lemony ainda tá lá, na geladeira, Deus queira que um dia essa história saia, Deus queira.... HAUHAU

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  2. Mais um capítulo incrível! Só tenho um comentário a fazer: Henry bem danadinho, não perdeu a chance de cantar a mocinha da recepção.

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    1. Mana, é aquele negócio, o lance é se prevenir! HAUHAUHAUH Não tinha garantia de achar a moça e a recepcionista estava toda interessada. A gente fica na esperança de que ele tenha apresentado a moça para Peter, pelo menos x)

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