INTO YOUR ARMS

09:00



Capa por Eloanne Cerqueira 
Seis meses haviam se passado. Seis longos meses desde aquele dia. O fatídico dia em que ela saíra por aquela porta, irritada, gritando aos quatro ventos que eu era um idiota e que aguentaria fácil a minha ausência. Seus olhos demonstravam totalmente o contrário, pequenas lágrimas teimavam em deslizar por suas bochechas levemente rosadas, dando-me um pedacinho de esperança, de que dessa vez seria como todas as outras. Que no dia seguinte, ela me ligaria perguntando como eu havia dormido, como se nada tivesse acontecido. Mas no fundo eu sabia que dessa vez, as coisas seriam diferentes, no pior sentido que existe. Eu sabia que dessa vez as coisas não se resolveriam tão facilmente. Eu só não sabia que demoraria tanto tempo, e pior ainda, eu não sabia que iria sofrer desse jeito.

O modo como a conheci pode ser considerado clichê. Ela era nova na cidade, e com isso, muitos espertinhos tentavam se dar bem com ela. Porém, poucos conseguiam que ela os olhasse. Eu fui um desses. Estávamos num pub, e eu a observava de longe, como fazia desde a primeira vez que a vi. Muitos chamariam de stalker, já eu gosto do termo observador. Mas naquele dia eu não queria apenas observar, eu queria agir. Tomei todo o líquido que estava em meu copo – Não lembro ao certo o que era, talvez fosse Vodka, talvez – de uma vez, largando o copo de qualquer jeito sobre o balcão, e a passos rápidos, aproximei-me da garota que andava rondando meus pensamentos há dias. Como falei anteriormente, ela não só me ignorou como se levantou e saiu do pub como se eu fosse um nada. Eu realmente era um nada, comparado a ela. E como se achasse pouco o fora que havia me dado, ela também deixara a conta do que havia comprado pra que eu pagasse. Mas eu estava feliz, eu tinha um motivo pra falar com ela da próxima vez que a encontrasse.

Eu sou masoquista, de verdade. Estou há seis meses mofando nessa droga de apartamento, saindo apenas quando meus amigos me obrigam, alegam que eu estou horrível e tomar um ar iria me ajudar. Mas nunca ajuda, só piora. Todas as vezes que saio pra tentar esquecer a fossa que a minha vida anda, dou de cara com garotas de cabelos curtos, mas que não ficam tão bonitas quanto ela. Dou de cara com garotas rindo alto ao ouvir as histórias das suas amigas, mas nenhuma com uma risada tão gostosa de ouvir quando a dela. E pior ainda, dou de cara com todos os lugares que fui com ela, e todas as boas lembranças que tenho... Todas ao lado dela. E quando finalmente volto pra casa, mais arrasado do que sai, lembro do dia em que falei com ela a primeira a vez, e finalmente houve resposta de sua parte, recebendo um sorriso incrivelmente perfeito, e que até hoje ainda não saiu dos meus pensamentos.

Voltei aquele mesmo pub, e lá estava ela, sentada a mesma mesa, com o mesmo olhar de reprovação para as pessoas que adentravam ao local. O mesmo relógio troca-pulseiras no braço esquerdo, segurando um copo com a mesma bebida. Mas a beleza era diferente, porque ela conseguia ficar incrivelmente diferente e incrivelmente linda a cada dia que passava. E eu não sei o que essa garota tem que me faz parecer tão estupidamente apaixonado em tão pouco tempo. Segui confiante até onde ela estava, sentando-me ao seu lado. Ao contrário do que pensei, não recebi um olhar de reprovação, muito menos que ela se retirasse. Recebi apenas um olhar surpreso e um sorriso satisfeito. Como se a intenção dela aquele dia fosse realmente essa e que eu havia capitado sua mensagem.

- Acho que tenho uma dívida com você. – Disse ela, levando o copo que segurava até a boca, tomando um gole do que eu deduzi que fosse vodka.

- E eu estou aqui justamente para cobrar. – Dei o meu melhor sorriso galanteador, fazendo-a sorrir de uma forma travessa, olhando para o lado oposto ao que estava.

- Espero que não tenha juros. Sabe, não sou lá muito rica. – Bebericou mais uma vez sua bebida e dessa vez virou-se pra mim, olhando-me com a mesma travessura que demonstrava o seu sorriso.

- Não quero dinheiro. – Fui um pouco ousado, aproximando-me dela, de forma que fiquei incrivelmente perto, de modo que não precisaria gritar para que ela me ouvisse, já que o lugar que estávamos era um pouco barulhento. – Mas já tenho em mente o que quero como pagamento. – Sorri galanteador mais uma vez, porém ela não deu a importância que eu queria que desse.

- E o que seria? – Mais uma vez, ela não olhava pra mim, o que estava me deixando um pouco tenso. A parte boa é que ela ainda sorria daquela forma travessa, e uma pontinha de esperança crescia em mim.

- Que tal um jantar? – Ela virou e me encarou surpresa. Talvez ela esperasse que eu pedisse pra dançar comigo, pra me pagar uma bebida, ou até mesmo um beijo. Mas é claro que eu não queria apenas uma noite com aquela garota, eu queria a minha vida inteira ao lado dela. – É isso, você quita sua dívida comigo, com um jantar no próximo final de semana. – Eu sorri vitorioso. Não era bem o que eu tinha em mente, mas estava de ótimo tamanho.

E então ela fez a coisa que mais me surpreendeu naquela noite. Sorrindo, ela pegou um papel e uma caneta – Sabe se lá Deus onde ela arrumou – anotando o que puder ver, o seu telefone. – Sábado à noite, às oito horas em ponto. – Sorrindo, entregou-me o papel e levantou, pegando suas coisas e indo em direção a saída do pub. – E a propósito, o meu nome é Paula. – Disse um pouco alto, por estar numa certa distância, e saiu deixando a conta para mim mais uma vez, e como da primeira vez, eu não me importei nem um pouco.

Eu estava errado. No fundo, bem lá no fundo, eu sabia que o único motivo de toda aquela discussão era o meu ciúme idiota. Cheguei a duvidar do que ela sentia por mim, por causa de um simples encontro com um ex-colega que eu, um idiota, interpretei errado. Thiarlley, a melhor amiga de Paula, bem que deveria ter me avisado antes que aquilo não passava de uma simples amizade. Mas eu sou idiota, e mesmo que Thiarlley me avisasse, mesmo que o cara chegasse com uma mulher do lado, mesmo que o cara fosse gay, eu agiria da mesma forma, e colocaria tudo a perder da mesma forma, porque como eu já disse, eu sou um completo idiota. Ainda me lembro de cada detalhe daquele jantar e do nosso primeiro beijo...

Durante todo o jantar ela manteve a mesma postura que naquele dia que eu havia convidado-a pra sair. E ao contrário do que eu pensei, ela não ficou olhando com desprezo ou me ignorando. A cada piada idiota ou sem graça que eu contava, ela ria tanto a ponto de ficar completamente vermelha. Descobri que todo aquele charme era só pra saber quem teria coragem suficiente de enfrentar seu desprezo e falar com ela. Descobri que ignorar os caras na minha frente era proposital para que eu fosse até ela. Descobri que ela tinha interesse em mim. Essa foi a deixa pra puxar seu corpo até o meu e colar nossos lábios no melhor beijo da minha vida.

Certo, vamos recapitular. Eu sou um completo idiota e fiz o meu namoro afundar, e com ele, minha (agora ex) namorada me odiar e agora eu ainda espero que ela venha até mim, me pedir desculpas? Eu sou um idiota, mesmo. E mesmo que eu estivesse coberto de razão, ela é tão orgulhosa a ponto de sofrer o resto da vida, mas nunca admitir que estava errada. Thiarlley havia dito isso certa vez que saímos em duplas, mas nunca achei que isso era tão verdade. Eu achava que se um dia isso acontecesse, ela iria fazer como todas as outras as quais namorei, esperaria duas semanas, me ligaria aos prantos no meio da noite, me pedindo que pelo amor de Deus, voltasse. Mas como vem acontecendo com muita frequência ultimamente, eu estava errado. Porque eu estou pensando seriamente na possibilidade de ligar aos prantos pedindo que pelo amor de Deus, ela volte pra mim.

O som da campainha me tirou dos meus pensamentos masoquistas e completamente sem ânimo, fui abrir a porta. Não, não era ela. Por que eu ainda pensei que fosse ela? Porque eu sou um completo idiota, mas isso não vem ao caso. Parada na porta com cara de poucos amigos, era Thiarlley, a melhor amiga (ou pelo menos eu classificava assim) de Paula. Olhei-a com a mesma cara de poucos amigos que ela me encarava, e sem um convite da minha parte, ela entrou no meu apartamento. - Você ‘tá horrível, KangHo. – Disse ela, sentando-se em uma das poltronas da sala e virou-se pra mim com um olhar de reprovação ao meu estado.

- E você queria que eu estivesse como? Saltitando de alegria? – Fui grosso e não me envergonho disso. Vai ver assim ela se manda daqui e me deixa voltar pra minha fossa masoquista.

- Você consegue ser mais teimoso do que ela, sabia? – Rolou os olhos e se levantou, caminhando lentamente pela sala e observando os porta-retratos que ainda estavam com fotos dePaula e seu lindo sorriso.

- Afinal, o que veio fazer aqui? Jogar na minha cara que estou péssimo? Obrigado, mas eu tenho amigos pra isso. – Essa garota deve ter um motivo muito grande pra estar aqui, porque eu não estou sendo lá muito simpático e ela continua aqui, tsc. Ela parou o que estava fazendo e virou-se pra mim de braços cruzados.

- Vai falar com ela. Agora. – Como é? Essa garota acha que chega assim na minha casa na cara de pau e me manda falar com a pessoa que eu ando fugindo (na verdade, não é bem assim) a meses?

- Acha que vai me convencer assim tão fácil? – Eu estava sendo mais idiota do que antes. Alguns minutos atrás eu estava admitindo minha culpa em tudo que estava acontecendo, e agora que a amiga dela vem jogar na minha cara que eu preciso fazer alguma coisa, eu me estresso... É, esse sou eu.

- KangHo, você conhece a Paula tão bem quanto eu e sabe que ela não é uma pessoa que demonstra com muita facilidade o que está sentindo, não é? – Assenti com a cabeça, colocando as mãos nos bolsos da bermuda incrivelmente velha que eu estava usando. – Nos últimos dias ela anda, digamos que... Insuportável. Incrivelmente alegre e incrivelmente afim de fazer coisas diferentes todo dia e como se não bastasse, quer ir em todos os encontros comigo e o Henry. Paula não é assim e você sabe disso. Não quero carregar nas costas algo que você fez de errado. Sai dessa fossa, arruma esse cabelo horroroso, se livra dessas olheiras e vai falar com ela. Agora. – Eu estava assustado, confesso. Não pelo fato dessa garota aí falar tudo na minha cara, porque já estou até acostumado. Mas pelo fato de como ela disse que Paula estava.

Minha Paula não é desse jeito, ela sempre dizia que odiava sair com eles e ficar segurando vela de dois idiotas tão apaixonados que sentia vontade de vomitar. Ela sempre disse que de tanto andar com Thiarlley na adolescência, se cansou da cara dela. O que no fundo era uma completa mentira, porque aquelas duas são unha e carne. Mas a questão é que isso tudo é culpa minha. Na minha concepção, Paula enfrentaria isso normalmente e depois de um tempo até esqueceria que eu existo. Mas o pior de tudo é que eu sou idiota o suficiente pra fazê-la sofrer tanto quanto eu. E o prêmio de maior idiota vai para mim.

- Ela não vai querer falar comigo. – No fundo era verdade, eu a conheço. Ela ia fingir que eu não existo e caso eu fosse até seu apartamento, ela já teria avisado ao porteiro pra nem a minha sombra entrar lá. Thiarlley rolou os olhos e veio até mim.

- Sua força de vontade me inspira, sabia querido? – Ela e esse “querido” irônico. Se ela não estivesse tentando me ajudar, eu já tinha jogando essa criatura porta a fora. Thiarlley me olhou fixamente por alguns minutos e depois segurando o meu braço, puxou-me até o meu quarto me jogando lá dentro. Lembrando que ela só conseguiu isso porque eu ando meio sonolento e fraco por esses dias. – Você tem quinze minutos, melhora essa sua cara ou pelo menos tenta, e você vem comigo. – E batendo a porta com bastante força, foi até a sala esperar que eu ficasse pronto, ou pelo menos foi o que achei que ela fez.

Eu ainda pensei se eu deveria mesmo fazer isso, confesso. Mas no fundo eu sabia que precisava de um empurrão de quem quer que fosse. Meus amigos só sabiam me mandar sair e ir atrás de outras garotas, e eu não era muito amigo do namorado da Thiarlley. Talvez eu precisasse que Thiarlley viesse toda mandona na minha casa pra eu acordar e ver que eu estava afundando. Pra eu perceber que eu estava me afundando e afundando a garota que eu mais amava junto comigo. Apressei-me até o banheiro e me joguei embaixo do chuveiro com a água fria mesmo. De uma hora pra outra eu fiquei confiante. Uma coisa me dizia que hoje eu teria ela em meus braços de novo e que a minha fossa masoquista teve fim assim que Thiarlley tocou a campainha. Acabei o banho e corri pegando qualquer roupa e por ironia do destino era justamente a camisa polo rosa claro que ela tanto adorava. Sorri vestindo-a rapidamente e pegando uma calça qualquer no guarda-roupa. Acho que a minha cara não melhorou muita coisa, porque quando sai do quarto, Thiarlley me encarou com certa desaprovação.

- O que foi? Você me mandou ser rápido. – Ela rolou os olhos e levantou-se.

- Anda logo, não temos o dia todo e daqui a pouco ela me liga alegando que eu estou atrasada. – Eu olhei surpreso pra ela, que apenas riu. – Pra você ver como ela anda sofrendo, Paula nunca fica pronta no horário, ou antes dele, e agora ela está mais pontual que britânicos. E a culpa disso tudo é sua. – Claro, ela tinha que passar na minha cara. Por que eu estou aceitando a ajuda dessa criatura mesmo?

- Enfim, qual o seu plano mesmo? – Falei já indo em direção a porta, fazendo com que Thiarlley se levantasse rapidamente e viesse atrás de mim.

- Nós marcamos de sair hoje, daqui a vinte minutos. Irei com você até a casa dela, aviso pelo interfone que sou eu, mas aí você vai no meu lugar. – É tão óbvio que eu me recuso a falar alguma coisa. Acho que nesses dias de fossa eu perdi o meu raciocínio rápido. Pra falar a verdade, nesses dias sem ela em perdi bastante coisa., mas isso não vem ao caso, agora.

Chegamos ao estacionamento do meu apartamento e adentramos no carro em silêncio. Eu estava nervoso, muito nervoso. Thiarlley respeitou todo o meu nervosismo e não fez nenhuma piadinha sem graça como era de costume. O caminho inteiro até o prédio que Paula morava, o meu medo aumentava. Medo dela olhar nos meu olhos e dizer que não precisava mais de mim na vida dela. E só pra piorar, Thiarlley havia acabado de estacionar, já estava fora do carro e pelo que pude perceber já falava com Paula pelo interfone. Olhou em minha direção com um sorriso no rosto e eu estremeci. Respirei fundo e desci do carro, indo em direção ao caminho já conhecido por mim, mas que não trilhava a bastante tempo, seis meses, pra ser exato. Depois do que pareceu uma eternidade, lá estava eu parado em frente ao apartamento 133, pensando uma ultima vez se era aquilo que eu deveria fazer. Sem que eu percebesse o que estava fazendo, meu dedo indicador direito já havia tocado a campainha e eu já ouvia passos em direção à porta.

- Thiarlley, você está atrasada, sabe que eu odeio chegar tarde... – Seus olhos se arregalaram ao perceber que era eu parado ali na porta. Meus olhos se arregalaram ao perceber que ela estava mais linda do que eu me lembrava.

- Oi. – Foi a única coisa produtiva que saiu da minha boca. Abaixei a cabeça e coloquei as mãos nos bolsos, eu estava envergonhado. Afinal, quando ela tivesse oportunidade, ela passaria na minha cara que eu estava errado e tinha ido implorar o perdão dela.

- Oi. – Um pequeno sorriso brotou em seus lábios e o seu rosto e iluminou. Mesmo que ela não me perdoasse, já teria valido a pena só por aquele sorriso.

- Eu preciso falar com você. - Levantei o olhar e ela estava de braços cruzados me encarando com uma expressão divertida no rosto. Sorri com isso e dei um passo a frente. – Quando você me disse que quando brigássemos feio, eu viria correndo feito um cachorro até você, eu nunca pensei que seria tão verdade. – Dei mais um passo a frente, e Paula continuou parada, com os braços cruzados, encarando-me como se fosse se acabar de rir a qualquer momento. – E não achei que demoraria seis meses pra perceber que minha vida sem você é horrível. E pior ainda, não achei que precisaria que a Thiarlley me fizesse acordar que eu estava afundando. – Ela riu, não é segredo pra ninguém que a mandona e eu vivemos nos implicando. Ao ouvir sua risada, dei mais um passo a frente, passando um braço pela sua cintura e trazendo sem corpo pra perto do meu devagar. Ela abaixou a cabeça como sempre fazia quando estava muito próxima de mim. Levei a minha mão livre até seu queixo, levantando seu rosto para que ela me encarasse.

- Me perdoe por ter feito você sofrer. Ser idiota está no meu sangue, então não garanto que não farei de novo. Mas esse meu ciúme desnecessário só existe porque eu te amo. – Eu não era lá um cara de ficar repetindo isso muitas vezes, até porque Paula odiava casais melosos, do tipo Thiarlley e Henry. Paula fechou os olhos ao ouvir as famosas três palavras e seus braços caíram do lado do seu corpo. - E pensar na possibilidade de ter perder pra outro homem me deixa extremamente irritado. – Aproximei ainda mais meu rosto do seu e senti sua respiração bater contra meu rosto, senti falta disso. – Então, sem mais delongas... – Nós rimos juntos, os olhos dela pareciam buscar algum sinal a mais uma resposta nos meus, e meu coração parecia que iria sair pela boca. – Volta pra mim? – Antes que eu obtivesse uma resposta, colei meus lábios aos dela e senti o meu corpo inteiro estremecer, ela poderia corresponder ou não, mas só aquele contato me levava ao auge da felicidade naquele instante.

Paula moveu os lábios sobre os meus e suas mãos subiram até o meu pescoço. O beijo era calmo, eu não queria apressar as coisas, eu só queria aquele beijo nunca parasse. A cada movimento dos seus lábios sobre os meus eu percebia o quanto eu tinha sido burro de passar todo aquele tempo sofrendo quando eu mesmo poderia ter resolvido isso. Tirei minha mão que estava em seu queixo e a desci para sua cintura, abraçando-a com certa força. Como a porta estava aberta, dei alguns passos para frente, puxando-a comigo para dentro de casa fazendo-a rir durante o beijo. O contato foi cessando aos poucos e por fim, separamos nossos lábios. O sorriso que estava em seu rosto era tão perfeito quanto o sorriso que ela me deu quando a pedi em namoro.

- Sabe, eu só vou te perdoar, porque... – Suas mãos que estavam em meu pescoço, agora brincavam com a gola da minha camisa. E eu estava completamente atento ao que ela dizia. – Porque você foi obrigado a aceitar ajuda da Thiarlley. – Espera, ela está rindo? Eu aqui completamente maluco esperando pela resposta dela e ela está rindo? Na minha cara? – Fala sério,KangHo, eu achei que você perceberia sozinho que estava errado e viria atrás de mim. – Eu disse que assim que ela tivesse oportunidade, ela jogava na minha cara.

- Isso, vai me zoando mesmo. Já não basta ter a Thiarlley me chamando de inútil, agora você também? – Dirigi minha atenção para o pescoço dela, deixando alguns beijos ali, enquanto ela ainda ria.

- Da próxima vez que a gente brigar, vê se aprende e acorda sozinho, ein? Porque pode ser que da próxima vez a Thiarlley não queira ir na sua casa te tirar da fossa.

- Como assim da próxima vez, dona Paula? – Ela ainda ria, às vezes eu não entendo essa garota. Mas eu não preciso entender, o importante é que ela agora está comigo. E eu pelo menos vou tentar não pisar na bola pra não haver uma próxima vez. E se caso haja, me lembrar de acordar antes que a Thiarlley invente de ir a minha casa bancar a terapeuta de casais e me levar a força pra consertar as coisas. 



FIM

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