HAPPY BIRTHDAY, MY WIFE

09:07

Capa por Eloanne Cerqueira
Tinha acabado de chegar em casa e ele estava na sala vendo TV. Anteriormente a cena seguinte seria: ele se levantaria do sofá, viria em minha direção, me beijaria rapidamente e diria que por hoje, o jantar era por sua conta. Pois bem, isso seria antes. Ultimamente as coisas andam diferentes por aqui. Estamos casados há mais três anos, porém os últimos meses não têm sido dos melhores. Suspirei cansada e resolvi esquecer os ‘tempos de glória’ do meu casamento e voltar a minha rotina de sempre.

Entrei, passando direto pela sala dizendo apenas um “boa noite” quase que inaudível e como de costume, ele não respondeu. Adentrei a cozinha, encontrando uma pilha de pratos e absolutamente nada pra comer. Novamente suspirei cansada e subi as escadas, indo em direção ao meu quarto. Isso mesmo, meu quarto. Depois da ultima briga, Peter resolveu adotar o sofá como sua cama. Não vou negar que sinto falta de ver seu rosto sempre ao acordar, mas fazer o que, não é?

Tomei um banho extremamente longo pra – tentar – esquecer os problemas, e de fato os esqueci, pelo menos por alguns instantes. Vesti meu pijama e finalmente pude descansar, andava com o corpo dolorido há dias. Peguei minha agenda para ter pelo menos uma ideia do que faria no dia seguinte e me dei conta uma coisa: O dia seguinte era o meu aniversário. Perceba que jeito ótimo de comemorar seu aniversário: Passando o dia inteiro trabalhando e quando chega em casa, dar de cara com seu marido completamente mal humorado, já que estamos ‘de mal’ um com o outro. Sinceramente, acho que o pessoal lá de cima anda meio revoltado comigo. Larguei minhas coisas na escrivaninha, e adormeci.


Acordei até que disposta, acho que é energia boa vindo só porque é meu aniversário. Olhei pela janela e vi que o sol já estava forte, o que era estranho, já que eu sempre saia quando mal havia nascido direito. Olhei o relógio, dez minutos para as nove horas da manhã. Ai meu Deus! Eu vou perder meu emprego e justamente no dia do meu aniversário. E como assim eu despertador não tocou? Eu nunca desativo aquele infeliz, e cadê agora? Aish. Levantei rapidamente e antes mesmo de fazer minha higiene matinal, liguei para a secretária da minha chefe.



- Meg, me perdoe pelo atraso. Tenta me acobertar por aí que eu já estou chegando! Apareço por ai em meia hora. – Disparei tudo antes mesmo de ouvir um “alô”.


- Calma Annie! – Ela riu. Como assim, eu ‘tô quase perdendo o emprego e ela está rindo? – Hoje é a sua folga, não lembra? – Ah, o sistema de folgas! Lá no meu trabalho, temos uma folga por mês, sempre na mesma data. E eu, logicamente, solicitei pra que a minha fosse justamente nesse dia, pra passar meu aniversário fora do trabalho. Mas ultimamente eu não estava cumprindo nenhuma, por isso o susto.




- Mas tem uns quatro meses que eu não pego folga, por opção mesmo. Logo, hoje não seria diferente. – Seria, se minha vida não andasse um porre, enfim.



- Pois é, mas hoje você está liberada. Ontem ligaram pra cá, dizendo que você tinha um compromisso importante hoje, como é justamente a sua folga, eu liberei. – Como assim “ligaram”?



- Quem ligou?


- Eu não sei. – Ela sabia, essa infeliz. Estava completamente visível no tom de voz que ela sabia, mas resolvi não insistir.


- Ok então, eu acho. Obrigada Meg.

- Não há de que. E, ah, feliz aniversário! – Agradeci novamente e desliguei.


Isso estava estranho, muito estranho. Quem era esse tal de alguém que ligou pra lá? E por que essa pessoa sabia da minha folga? E que compromisso era esse? Ah, melhor esquecer essas confusões e fazer alguma coisa, já que eu não tenho nada planejado. Segui até o banheiro, fazendo minha higiene pessoal e domando meu cabelo. Pensei em algo de útil pra fazer, mas nada veio a minha cabeça, então resolvi encarar a pilha de pratos que eu ignorei ontem.

Cheguei à cozinha e outro susto: a pia estava vazia e limpa. Ok, eu ainda estava dormindo, certo? Não, eu estava acordada mesmo, mas os pratos não se lavaram, enxugaram, e guardaram sozinhos. Espera... Não. Peter nunca lavou a louça, nunca mesmo. Por que ele inventaria isso hoje? Nem a magia do meu aniversário faria isso com ele, é. Corri até a sala e não o encontrei. É impressão minha ou isso aqui está ficando cada vez mais estranho? Cruzei os braços e aí notei algo de diferente na mesa de centro.




Flashback

Estávamos num café, era um dia comum. Conversávamos sobre qualquer coisa, na verdade, Peter falava alguma idiotice e eu só sabia rir loucamente como uma hiena. Sempre odiei minha risada, por mais que ele sempre diga que é um som agradável.

- Annie, quais suas flores favoritas? – Perguntou do nada, como se estivesse me perguntando às horas. Foi tão repentino, que eu o olhei surpresa, rindo.


- Por que a pergunta?


- Por nada, só lembrei que você nunca comentou nada sobre flores e essas coisas. –Era verdade, nunca achei era importante essas coisas de flores, pois é.

- Ok então... – Eu ainda estava meio “hãn” com aquela pergunta, mas vamos em frente. – Ah eu gosto de rosas, acho bonitas. – Disse dando de ombros.

- Acha “bonitas”? Annie, minha mãe é louca por tulipas, e quando ela fala das flores, ela não utiliza um único adjetivo, ainda mais dizendo que são só “bonitas”. – O encarei surpresa de novo, que história era essa?

- Desde quando virou expert nessas coisas? – Minha cara de ‘nada’ devia estar muito hilária.

- Enfim, vai responder minha pergunta ou não?

- Eu já disse, eu gosto de rosas. – Ele ia me interromper. – Elas são lindas, e tipo, tem uma variedade, sabe? Qualquer cor que você queira, encontra uma rosa dessa cor. – Ele sorriu vitorioso. – Satisfeito agora?

- Ainda não, mas quase. – E alargou seu sorriso, meu sorriso na verdade. – E a cor? Qual a sua preferida?

- Ah não Peter, para com esse interrogatório, tá querendo me comprar flores? Compra as que você preferir. – Eu nunca recebi flores, então ficaria incrivelmente boba com qualquer uma que ganhasse.

- Não, não, compraria da minha preferencia se fossem pra mim, mas são pra você. – Cruzou os braços fazendo um bico, parecia criança mimada.

- Então vai me comprar flores mesmo?

- Annie, responde ou eu jogo esse café na sua linda blusa branca. – E sim, ele pegou o copo só pra ameaçar.

- Tá. – Suspirei baixo, pensando um pouco. – Não tenho preferencia por cor. – Ele ia me interromper novamente, mas que coisa irritante. – Rosas vermelhas são lindas, as azuis são maravilhosas, as lilás são incrivelmente fofas, as brancas são uma graça. Se fosse pra receber um buquê delas, preferia que fossem misturadas as cores. – Acho que meus olhos estavam brilhando. Eu estava imaginando como seria esse buquê, e acreditem, seria lindo.

- Misturadas, mas por quê? – Esse garoto tá muito irritante hoje ein, se não fosse meu futuro marido, já tinha levado na cara.

- Ué, todo mundo recebe um buquê com todas da mesma cor, ou seja, já é normal. Então, pra que ter a beleza só de uma se você pode ter de todas? – Eu sorri, rindo baixo logo depois. Peter me olhou sorrindo, voltando a conversar sobre qualquer idiotice que conversávamos antes.

Fim do flashback


Eram as flores. Minhas rosas de várias cores, juntas num vaso em cima da mesa de centro. Paralisei. Não podiam ser dele, afinal, estávamos brigados, certo? Certo. Fui até o buquê, encontrando um cartão em meio às flores. “Pra que ter a beleza só de uma, se você pode ter de todas?” Não podia ser, eu estava sonhando. Vai ver era coisa da minha mãe, eu tinha comentado isso com ela há bastante tempo atrás. Ok, quem eu estou tentando enganar, eu estava louca pra que aquilo fosse realmente dele. Coloquei minhas flores na agua e resolvi preparar um almoço diferente. Seria uma forma de agradecer, certo? Certo. Passei a manhã inteira tentando fazer algo decente, já que eu não era lá tão boa na cozinha. Até que eu consegui terminar tudo a tempo, limpei toda a sujeira e esperei que ele chegasse.


Pois bem, ele não apareceu. Esperei até as duas e meia da tarde, e nada. Ele nunca demora tanto pra almoçar, ele mesmo disse que detestava almoçar tarde. Perdi minha fome e minha pseudo-alegria por achar que as flores eram dele. Comi com má vontade, guardei o resto na geladeira, lavei a louça, guardei e resolvi fazer algo que não fosse dormir. Depois eu ligaria pra minha mãe agradecendo o buquê que ela me mandou e o jeito que ela me iludiu. Coitada, nem tinha culpa de nada, enfim.


Joguei-me no sofá e digamos que não foi uma coisa boa a se fazer. O sofá tinha o cheiro dele. Cheiro esse que a muito tempo eu não sentia. Abracei a almofada que deveria ser seu travesseiro e senti meus olhos arderem. Eu não queria chorar, mas eu andava precisando. Guardar choro não é algo lá muito bom. Então eu chorei. Não muito, não em desespero, não com soluços, mas chorei. Fiquei nessa pseudo-depressão por alguns minutos e resolvi ver alguma coisa ta tv, coisa que eu não fazia há bastante tempo.

Liguei em qualquer canal e comecei a procurar algo decente pra assistir. Depois de muito brigar com o controle, resolvi deixar no telecinefun e assistir As Viagens de Gulliver, por mais que eu já tivesse assistido e o filme não fosse lá essas coisas. Antes mesmo que o próprio Gulliver chegasse em Lilliput, eu já estava no meu décimo segundo sono. Andava cansada ultimamente, talvez seja pelo fato que prefiro mil vezes passar o dia no trabalho com duas horas extras, do que ficar em casa.

Acordei na metade de outro filme que eu não consegui identificar sem olhar qual era. Espreguicei-me no sofá e percebi que já estava tarde. Pensei em alguma coisa pra fazer, mas passar o aniversario sozinha no meu quarto, terminando algum projeto era minha única opção. Suspirei cansada e levantei, seguindo até as escadas. Mas antes, reparei em algo fora do normal, em cima da estante.
Flashback

Era fim de semana e faltavam poucos dias pra páscoa. Peter e eu estávamos sem ter o que fazer e resolvemos ‘fazer nada’ no shopping. Era engraçado, porque sempre que eu encontrava o ovo ideal, Peter dizia que era mil vezes mais barato comprar três barras de chocolate e ainda teríamos o dobro, ou até o triplo de chocolate em casa.



- Peter para de ser chato, o que custa comprar um ovo de páscoa uma vez na vida? – Já era a décima vez que ele começava o discurso sobre o capitalismo na páscoa, parecia meu pai.


- Custa muito, se é que você ainda não percebeu o preço dessas coisas. Fora que é muito pouco chocolate, pra muito muito dinheiro. – Era engraçado o jeito que ele falava, parecia realmente meu pai.

- Ok senhor economista, parei de reclamar. – Levantei os braços em sinal de rendição, ele riu. Continuamos nosso tour pela loja dos ovos de páscoa até chegarmos na parte dos bombons. Eu, idiotamente, parei observando-os.

- O que foi? – Disse ele, percebendo que eu não estava acompanhando-o.

- Nada. – Respondi, mas continuei ali, olhando os bombons. Com um ponto de interrogação bem no meio testa, Peter veio até mim, ficando do meu lado.

- O que foi, você gosta desses? – Perguntou.

- Nunca comi, na verdade. – Dei de ombros. – Sempre quis ganhar bombons, mas nunca me deram.

- Mas você comprou bombons na semana passada. – O ponto de interrogação só aumentava, eu tive rir.

- Ali são bombons sortidos, Peter. Estou falando desses. – Apontei para a enorme quantidade de caixas a nossa frente. – São bombons iguais, entendeu? – Ele fez que não com a cabeça, eu ri de novo. – Tipo, quando eu era criança que via filmes e novelas que as garotas ganhavam bombons naquelas caixas, sabe? Quando elas abriram, eram todos do mesmo formato e do mesmo ‘gosto’, pelo menos era o que parecia. Então eu sempre quis ganhar um desses. – Dei de ombros, sorrindo boba. – É só um sonho bobo.

- Um sonho, por mais que seja bobo, continua sendo um sonho. – De novo, ele sorriu o meu sorriso. 


Fim do Flashback


Olha a coisa ficando cada vez mais estranha em um só dia. De novo pensei que teria sido da minha mãe. Mas aquela frase foi ele que disse. Mas então, já que ele estava fazendo isso tudo, por que não apareceu no almoço? Tortura? É, parece que sim. O que é bem a cara dele, por sinal. Ali na estante estava uma caixa dos meus ‘bombons iguais’ e no cartão, a frase que ele me dissera. “Um sonho, por mais que seja bobo, continua sendo um sonho.” Seja lá o que for que ele esteja aprontando, só está fazendo que eu me iluda. Pensei em fazer o jantar, mas vai que ele de novo me desse o bolo. Resolvi tomar um banho e me arrumar pra fazer alguma coisa. Nem que fosse só ir até a praça atrás da minha casa e voltar, pelo menos eu teria feito alguma coisa.

Subir e fui escolher alguma coisa pra vestir. Optei por um vestido simples, lilás que havia comprado a pouco tempo. Fui até o banheiro e tomei um banho relaxante. Não tão longo, pra naõ acabar com a agua do mundo, mas um banho extremamente bom. Arrumei o cabelo amarrado de lado, fazendo alguns cachos com o babyliss e deixando a franja do mesmo lado que o resto do cabelo estava amarrado. Fiz uma maquiagem simples. Uma sombra clarinha, pouco blush, lápis, rímel e gloss. Não precisava de tanta coisa, já que quem eu queria que me visse arrumada não estava dando à mínima. Ou talvez estivesse, mas não estava por aqui para ver. Uma coisa complicada essa vida.


Calcei uma sapatilha neutra, coloquei alguns acessórios e desci. E de novo, nenhum sinal dele em casa. Pra ser sincera, eu preferia tê-lo emburrado no sofá, pelo menos ele estava por aqui. Mas como eu já disse, é uma coisa complicada essa vida. Peguei minha bolsa, arrumei algumas coisas dentro dela, e fui até a cozinha beber uma água antes de sair. Abri a geladeira, pegando o jarro de água, e então notei algo não muito comum em cima da mesa.



Flashback


- O que está acontecendo aqui? – Esse era um Peter assustado ao ver a situação que se encontrava nossa cozinha.



- Eu estou fazendo cupcakes, meu bem. – Aquilo ali estava parecendo qualquer outra coisa, menos cupcakes. Tinha visto uma mulher fazendo na tv, e fui tentar fazer também. Tudo bem, eu confesso que os primeiros saíram bem estranhos, mas depois de umas vinte tentativas, a gente pega o jeito.


- Está? Isso aqui não parece um cupcake... – Disse apontando pro meu mais lindo de todos os bolinhos, aish.

- Peter se não for ajudar, não atrapalha, ok? Eu já estou acabando e logo limpo tudo aqui. – Falei irritada, fazendo-o rir. Ele veio em minha direção e tirou um pouco de glacê da minha bochecha com o indicador, lambendo-o logo depois.

- Ok, fazedora de bolinhos. – Me deu um selinho, e foi assistir tv.

Certo, depois de muita farinha espalhada pelo chão e glacê nos meus cabelos, meus cupcakes estavam prontos. E dessa vez, eles pareciam realmente cupcakes. Arrumei-os lindamente em cima da mesa, e assim que terminei de limpar tudo, subi para me limpar. Aposto que ia demorar um bocado pra tirar todo aquele glacê do meu cabelo.

Depois de uns vinte minutos e meio - achei que fosse levar mais tempo – desci completamente limpa e pronto pra saborear dos meus bolinhos. O problema era esse, alguém já tinha feito isso por mim. Tinham menos da metade dos meus bolinhos e muito glacê espalhado pela mesa, eu mato o meu marido.

- PETER! – Gritei vendo-o assistir tv completamente pançudo e com a boca suja de glacê. – Por que você caiu em cima dos meus bolinhos sem dó nem piedade?

- Achei que você tinha feito pra comer. – Deu de ombros, tentando limpar a prova do crime de sua boca.

- Mas não precisava cair em cima como uma criatura selvagem, Cupcakes são muito fofos para serem devorados. – Cruzei os braços irritada e ele riu, puxando-me para seu colo, tentando de todas as formas me fazer sorrir.
Fim do flashback


Certo, agora eu precisava de uma resposta. Primeiro, por que ele estava fazendo isso tudo e segundo, por que ele não estava aqui pra eu ter certeza que era ele que fazia isso tudo? O que tinha mesa era uma caixinha em formato de um cupcake de baunilha, o meu preferido. Abri e percebi que era um porta-joias, dentro um bilhete escrito “Cupcakes são muito fofos para serem devorados.” Certo Peter, apareça agora e me diga o que está acontecendo com você.


- Sabe... – Mais um susto. Como não vi a cor de outra pessoa a não ser a minha hoje, achei que estivesse sozinha. Fui até a sala, encontrando-o em pé ao lado da escada, com uma das mãos apoiada no corrimão e a outra dentro do bolso. – Ultimamente nós dois temos agido como idiotas.

Ele estava certo, não colocaria a culpa toda nele, eu também tinha feito muito besteira.


– Fizemos tantas besteiras que era preferível passar o dia fora, a ficar em casa na companhia um do outro. E sinceramente, isso estava me matando. Então, eu resolvi dar um basta nisso. Porque eu não estou mais aguentando ficar longe de você. Fingir que você não existe, porque sabe eu te amo.


E de novo, ele disse como se fosse uma coisa qualquer, era uma mania dele.

– Sinto falta de quando você chega do trabalho perguntando como foi o meu dia, e depois de cinco minutos de conversa, você está dormindo sobre o braço do sofá. Sinto falta de chegar e ser recebido com um beijo seu. Na verdade, eu nem lembro a ultima vez que recebi um beijo. Perdoe-me por esses últimos meses.


Ele estava querendo que eu me acabasse em lágrimas, só podia. E eu ainda tentei não chorar, mas estava difícil, e também, eu andava meio emotiva esses dias, então eu não tinha pra onde correr.


– E ah, feliz aniversário meu amor.

E depois de muito tempo, eu tive o meu sorriso de novo. Eu estava tão concentrada no que ele dizia, que nem percebi que aos poucos ele estava se aproximando de mim. Levantei o olhar encontrando os olhos deles suplicando perdão. É óbvio que eu iria perdoá-lo, eu o perdoaria até mesmo se ele não tivesse feito nada do que ele fez hoje.



- Acho que eu te devo um pedido de desculpas também, afinal, também é culpa minha. – Disse tímida, desviando o olhar. Peter levou uma de suas mãos até meu queixo, deixando-me completamente arrepiada. Senti saudades do seu toque. Subi minhas mãos até a sua nuca e automaticamente, ele levou sua mão livre até minha cintura, colando nossos corpos. Aproximou ainda mais o seu rosto do meu, colando nossas testas. Ficamos assim por um tempo, só matando toda a saudade que sentimos por todo esse tempo.


- Eu te amo. – Falei por fim. Sim, eu falei. Afinal, como ele mesmo disse, não era só culpa dele, então eu também precisava ceder. O sorriso que brotou em seus lábios foi o mais lindo que eu já vi.


- Não tanto quanto eu te amo.


E dizendo isso, colou seus lábios aos meus. O beijo era calmo, não precisávamos de pressa nem nada, tínhamos o tempo que quiséssemos. A cada movimento dos seus lábios sobre os meus, eu me sentia completa. Partimos o beijo e continuamos como estávamos, apenas curtindo a presença um do outro. O silêncio não era constrangedor, ao contrário disso, era um silêncio bom, de que nada precisava ser dito.


- Você já comeu aqueles chocolates? – Perguntou depois de alguns minutos.



- Ainda não, por quê? – Perguntei, roçando meu nariz ao seu.

- Porque eu comprei na intenção de você dividi-los comigo. - Sorriu travesso, me fazendo rir.

- Idiota. – Falei capturando seus lábios mais uma vez. 


FIM

Fic feita em comemoração ao aniversário da Helenita e o meu. (28 e 30 de Março, respectivamente). Espero que gostem. <3


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